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Ênio Sinedino


O Peso de Natal na balança de 2026

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Há recrutamentos que somam tropas e há recrutamentos que revelam o mapa.

O anúncio de Carlos Eduardo como pré-candidato a deputado estadual pelo União Brasil, ao lado de Allyson Bezerra é mais do que um nome na nominata, é uma confissão de geografia: o adversário a ser batido tem nome e tem endereço — Natal.

Quem joga War conhece a regra básica. Não se reforça o exército onde já se é forte; reforça-se a fronteira que se quer tomar. E a fronteira, aqui, é a capital, território onde o grupo de Álvaro Dias montou sua artilharia. Com o prefeito Paulinho Freire na cadeira que importa, os senadores Rogério Marinho e Styvenson Valentim e o próprio Álvaro de volta ao tabuleiro. Esse quarteto exibe uma capilaridade que não se combate com discurso. Combate-se com voto.  

Daí a lógica fria da adesão. Allyson precisa de Natal e Carlos Eduardo. Quatro mandatos de prefeito não se apagam de uma urna por decreto. A base existe e ninguém de juízo a subestima — nem mesmo os que torcem para que ela tenha encolhido.

O detalhe que a nota oficial não menciona é o currículo recente. O mesmo Carlos Eduardo que chega como peça de reforço colecionou, na última temporada, uma sequência de insucessos: perdeu o governo em 2018, perdeu o Senado em 2022 e perdeu a prefeitura em 2024.

Há, portanto, uma ironia silenciosa no movimento. O homem que quis o Palácio e o Senado aceita agora disputar uma cadeira na Assembleia ?  Para o desavisado, é rebaixamento de ambição. Para quem entende de aritmética eleitoral, é o contrário: para deputado estadual é o cargo onde uma base municipal concentrada rende mais, e sua base eleitoral, indiscutivelmente,  é Natal. Carlos Eduardo não está diminuindo o passo. Está escolhendo o terreno onde ainda conhece os caminhos — e, de quebra, transformando seu eleitorado em combustível para a candidatura de Allyson Bezerra ao governo.

A eleição de 2026 no Rio Grande do Norte não se decidirá por programas de governo expostos em PowerPoint, mas por essa engenharia de territórios: quem cerca Natal, quem segura Mossoró, quem domina o interior... Allyson larga forte no Oeste; precisava de um cabo eleitoral no litoral. Encontrou um que, derrotas à parte, nunca deixou de mover o ponteiro da urna na capital.

Resta a pergunta que toda jogada de War embute: o reforço basta? A base de Carlos Eduardo é real, mas três campanhas seguidas sem vencer testam até o eleitor mais leal. Do outro lado, o grupo de Álvaro não assiste parado: tem prefeitura, tem Senado e tem a máquina que costuma decidir as guerras que o discurso só anuncia.

Por ora, fica o recado embutido na manobra. Quando um partido vai a campo buscar justamente quem domina a capital, está dizendo, sem dizer, onde sente que está fragilizado. O União Brasil escalou Carlos Eduardo para minar a força de Álvaro em Natal — e, ao fazê-lo, reconhece o tamanho exato dessa força. Na política, como no War, ninguém reforça a fronteira tranquila. Reforça-se a que tira o sono.

 

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