A rede de coação ligada a Daniel Vorcaro, conhecida como “A Turma“, chegou a ser relatada por testemunhas como a “Rússia de Putin”, de acordo com relatório da Polícia Federal (PF) tornado público nessa terça-feira (16/6). Em mensagens interceptadas pela corporação, o grupo recebia pessoas para reuniões com uma estrutura paramilitar, que incluía carros blindados e armas, inclusive fuzis.
O grupo atuava pelos interesses do banqueiro e, de acordo com a PF, agia como uma espécie de “milícia privada“. As investigações ainda apontam que o grupo possuía ramificações em diferentes estados, inclusive conexões com operadores do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Na capital carioca, as apurações identificaram que um dos principais operadores do esquema seria Manoel Mendes Rodrigues, que se apresenta como “empresário do jogo” em referência ao jogo do bicho. Rodrigues, de acordo com as conversas, seria o responsável por coordenar o esquema de segurança em reuniões no Rio de Janeiro.
“A Rússia de Putin”
As investigações apontam que, embora a estrutura fosse utilizada com a justificativa de oferecer segurança para Vorcaro e sua família, os relatos de pessoas que foram recebidos por Manoel para reuniões afirmam que, ao invés de se sentirem protegidos, ficavam assustados.
Em uma dessas reuniões relatadas em conversas de Manoel com André Hodge, Manoel afirma que organizou um esquema de segurança com a intenção de passar sensação de segurança e tranquilidade para os convidados. O sentimento, contudo, foi o oposto.
“Narram ademais que [um dos participantes da reunião] sequer conseguia abrir a boca, indicando extremo temor diante da situação – e que os visitantes falaram que se sentiram na “Rússia do Putin”, conhecida por seu aparato militar estruturado e com muito poder de fogo”, diz trecho do documento da PF.
Quem é quem
- André Martins Hodge, de acordo com a PF, atuava como intermediário entre Henrique Vorcaro (na foto em destaque), pai de Daniel Vorcaro, e Manoel Mendes.
- Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, segunda a PF, atuava como operador financeiro em favor da “Turma” e mantinha contados frequentes com Manoel, especialmente em favor da família do Sicário.
- Manoel Mendes Rodrigues é apontado como líder de uma organização fortemente armada Rio de Janeiro, com seguranças privados portando diversos armamento de grosso calibre, incluindo fuzis, veículos blindados e outros recursos típicos de organizações paramilitares.
Ainda segundo a PF, é possível identificar que a estrutura coordenada por Manoel era semelhante a uma “organização paramilitar, valendo-se de pessoal treinado como se agentes de segurança pública fossem, do uso ostensivo de armamento de alto potencial lesivo, de veículos com proteção balística e de clara hierarquia“, afirma a PF.
Os investigadores afirmam ainda que, os indivíduos para os quais o referido bicheiro promoveu o uso de aparato de segurança eram pessoas “com estreito vínculo com a família Vorcaro e com a organização criminosa em questão“.
Entre elas, a PF cita Felipe Vorcaro, sobrinho de Henrique Vorcaro e primo de Daniel Vorcaro, preso na 5ª fase da Operação Compliance Zero; e André Beraldo, que foi alvo de mandado de busca e apreensão por ser suspeito de operar empresas fantasmas do banqueiro.
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