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Ênio Sinedino


O País do faz de conta

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O Brasil é um país extraordinário.

Consegue, ao mesmo tempo, ter o governo mais gastador de sua história e uma população que nunca esteve tão no vermelho. É quase uma obra de arte — uma sincronia perfeita entre quem gasta o que não tem e quem deve o que não consegue pagar.

Os números são o tipo de coisa que envergonharia qualquer governo sério: 80,9% das famílias endividadas, quase 74 milhões de brasileiros negativados, metade da renda familiar já comprometida antes do mês começar. Nove milhões de empresas inadimplentes. Recordes de recuperação judicial. Uma carga tributária de 32,4% do PIB — a maior da história — sugando o que sobrou de quem ainda tenta produzir alguma coisa.

E a dívida pública? De volta aos 80% do PIB. O governo do PT, que fez da proteção aos pobres sua bandeira eterna, cuida, na prática, principalmente de si mesmo.

A pergunta que o otimismo oficial não responde é simples: Se a economia vai tão bem, por que o brasileiro está tão mal?

Se o emprego cresceu, o consumo aqueceu e o PIB subiu, por que quase metade do país não consegue pagar o que deve?

A resposta é desconfortável: Crescimento sem produtividade, sem reforma, sem ajuste fiscal é como tomar Tramal. Alivia por um momento - passado o efeito, volta a dor.

O PT conhece bem essa receita — já aplicou antes, com o mesmo resultado.

O Brasil não tem um problema de falta de debate econômico. Não falta análises, diagnósticos. Falta vergonha.

Enquanto o discurso oficial celebra cada décimo de ponto do PIB como se fosse milagre, os dados do mundo real mostram uma família a cada dois apertando o cinto — e o governo do PT afrouxando o dele.

Quando a conta chegar — e ela sempre chega — ninguém vai querer assumir.

 

Fontes: CNC/PEIC (Pesquisa de endividamento do consumidor)

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