O ministro do STF André Mendonça demonstrou incômodo com a troca do delegado responsável pelas investigações sobre fraudes no INSS e passou a acompanhar mais de perto o andamento do inquérito. A mudança no comando da apuração ocorreu sem aviso prévio ao magistrado, que soube da decisão apenas nesta sexta-feira (15), durante reunião com integrantes da Polícia Federal em seu gabinete.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva, que conduzia a investigação, foi retirado da chefia do caso. Mendonça questionou a alteração e pediu esclarecimentos sobre a substituição, além de demonstrar preocupação com possíveis atrasos ou seletividade na análise do material já apreendido.
O ministro também determinou que a equipe apresente os resultados das buscas realizadas até agora e a análise das provas coletadas. A investigação ganhou peso político por envolver Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que está entre os investigados no processo.
A apuração tenta esclarecer a relação dele com Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”, e com a empresária Roberta Luchsinger. O delegado afastado havia solicitado a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, além de medidas contra outros investigados.
Com a mudança, o inquérito deixa a Coordenação de Repressão a Crimes Fazendários e passa para a área de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. Toda a equipe foi transferida, com exceção de Guilherme, que ficou fora da nova estrutura. A Polícia Federal não comentou o caso.