O Supremo Tribunal Federal teve nesta terça-feira a oportunidade de começar a enfrentar uma das maiores crises de sua história recente.
Não conseguiu.
Depois de horas de discussões e bate-bocas entre ministros, Flávio Dino pediu vista e adiou uma definição sobre a investigação envolvendo Alexandre de Moraes e as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.
O STF terminou a sessão como começou: dividido e cercado de incertezas.
O placar estava em 4 a 3 para que os casos de Moraes e André Mendonça fossem julgados separadamente. Com o pedido de vista, Edson Fachin não precisou desempatar e ficou sem resposta a pergunta principal:
Alexandre de Moraes será ou não investigado?
Enquanto isso, o caso envolvendo André Mendonça está pautado para o próximo dia 23. O Supremo pode, portanto, julgar Mendonça antes mesmo de decidir o que fará com Moraes.
Tudo isso a poucos dias das eleições.
Pesquisa Quaest mostra que 56% dos brasileiros dizem não confiar no STF. Depois do espetáculo desta terça-feira e de mais uma decisão adiada, o desgaste pode aumentar.
E haverá repercussão política.
A eleição deste ano renovará dois terços do Senado, justamente a Casa responsável por processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade.
Há candidatos que transformaram o impeachment de ministros do STF em bandeira eleitoral. Manter essa crise aberta fornece combustível para esse discurso.
A ministra Cármen Lúcia talvez tenha resumido melhor o tamanho do problema ao dizer que se sentia envergonhada e reconhecer que o Supremo não conseguiu transmitir ao país a tranquilidade que dele se espera.
O problema já não é apenas Alexandre de Moraes, André Mendonça ou Daniel Vorcaro.
É o próprio Supremo Tribunal Federal.
O pedido de vista de Flávio Dino não apagou o incêndio.
Apenas adiou o momento de enfrentá-lo.
Por ora, fica a sensação negativa de operação abafa.