Abandonado pelo Centrão, o senador Flávio Bolsonaro será forçado a escolher um nome do PL para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial. Nas últimas horas, o nome do potiguar Rogério Marinho ganhou força por reunir um perfil moderado, experiência política e respeito junto ao segmento econômico.
Desde que assumiu a condição de candidato ao Palácio do Planalto, Flávio repetia que gostaria de ter uma mulher como companheira de chapa. Era um gesto político para ampliar o alcance eleitoral do bolsonarismo. Mas a realidade das negociações acabou falando mais alto. As recusas de partidos como PP, União Brasil e Republicanos — legendas do Centrão — inviabilizaram uma composição nacional, e o PL passou a buscar uma solução dentro de casa.
É nesse contexto que Rogério Marinho emerge como favorito. Coordenador da campanha presidencial, o senador potiguar reúne atributos que a estratégia eleitoral considera essenciais neste momento: experiência administrativa, trânsito no meio político e credibilidade junto ao setor produtivo. Em outras palavras, funcionaria como contraponto capaz de equilibrar uma candidatura ainda fortemente identificada com o sobrenome Bolsonaro.
Nos bastidores, a comparação já circula com naturalidade: Rogério seria para Flávio aquilo que Geraldo Alckmin representa para Lula — um vice escolhido menos para disputar protagonismo e mais para ampliar pontes, reduzir resistências e transmitir segurança a segmentos do eleitorado que permanecem hesitantes.
Se a expectativa se confirmar no anúncio previsto para esta quarta-feira, às 11 horas, em Brasília, Flávio Bolsonaro estará enviando um recado claro: nesta eleição, a prioridade não será reforçar o discurso para os já convertidos, mas tentar conquistar quem ainda está fora da bolha bolsonarista.
A presença de Rogério Marinho na chapa presidencial terá impacto positivo na campanha do PL no Rio Grande do Norte, favorecendo a candidatura de Álvaro Dias ao governo.