A comemoração do Governo do Estado com o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tem uma razão objetiva. Depois de dividir a última colocação nacional com a Bahia em 2023, o Rio Grande do Norte subiu seis posições no ranking do ensino médio da rede estadual e alcançou sua melhor nota desde a criação do indicador. O avanço é real e merece registro.
Mas os números, sozinhos, não contam toda a história.
Poucos meses antes da divulgação do Ideb, o Rio Grande do Norte adotou uma mudança nas regras de progressão que alterou de forma significativa a dinâmica de aprovação dos estudantes. A rede estadual passou a permitir que alunos do ensino médio avancem de série mesmo reprovados em até seis disciplinas.
Os efeitos apareceram rapidamente: a taxa de aprovação saltou de 77% para 93% em apenas um ano, um dos maiores crescimentos do país.
O Rio Grande do Norte não está sozinho. Estados como Pará, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais e Rio Grande do Sul recorreram à chamada progressão parcial e também registraram melhora em seus indicadores. A estratégia pode elevar as taxas de aprovação e influenciar positivamente o Ideb. O que ela não prova, por si só, é que os estudantes estejam aprendendo mais.
É justamente essa distinção que precisa acompanhar a euforia oficial. Sair da lanterna é uma notícia positiva. A questão é saber quanto desse avanço decorre de uma melhora efetiva da qualidade do ensino e quanto resulta de mudanças nas regras que facilitaram a passagem dos alunos para a série seguinte.
A melhora no Ideb não reescreve a história da educação no governo Fátima Bezerra. Para uma governadora que fez da educação sua principal credencial política, os resultados acumulados ao longo da gestão ficaram muito aquém do que se esperava.