Depois de meses alimentando expectativas sobre a escolha do vice, o senador Flávio Bolsonaro transformou um anúncio que poderia representar um grande movimento político em um desfecho burocrático. A confirmação do deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, para compor a chapa presidencial ficou muito aquém da expectativa criada pelo próprio candidato.
Flávio chegou a afirmar que gostaria de ter uma mulher na vice-presidência. Nomes como Tereza Cristina, Daniella Marques, Júlia Zanatta, Priscila Costa e até o senador Rogério Marinho circularam com força nos bastidores. No fim, prevaleceu um nome que sequer figurava entre os mais cotados.
Mais do que a escolha de Alfredo Gaspar, o anúncio expõe o fracasso da estratégia de ampliar a aliança do PL. O partido não conseguiu atrair nenhuma legenda relevante do Centrão para a chapa presidencial e terminou recorrendo a uma composição "puro-sangue", formada exclusivamente por filiados da própria legenda. Não foi exatamente uma opção política. Foi o que restou após negociações frustradas.
Há ainda uma contradição difícil de ignorar. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Gaspar havia sido escolhido há cerca de seis meses. Se era assim, por que tanto suspense? Por que a sucessão de especulações e o adiamento do anúncio até a reta final das convenções? A explicação oficial não esclareceu todo o processo de escolha.
O episódio ganhou contornos ainda mais curiosos porque Alfredo Gaspar havia sido oficializado candidato ao Senado por Alagoas apenas um dia antes. Em menos de 24 horas, abandonou uma disputa para assumir outra, muito maior.
É verdade que o novo vice reúne atributos que Flávio considera importantes: experiência na área de segurança pública, trajetória no Ministério Público e representatividade no Nordeste. Mas, politicamente, o anúncio transmite muito mais a imagem de uma candidatura que precisou se adaptar às circunstâncias do que a de uma campanha capaz de ampliar sua base de apoio.
A montanha pariu um rato. Essa foi a impressão que ficou.