A decisão do Solidariedade de encerrar, ao menos por enquanto, suas atividades políticas no Rio Grande do Norte está longe de ser um simples ato administrativo. Estamos diante de uma jogada política para causar danos à candidatura de Allyson Bezerra, do União Brasil.
Por trás da nota assinada pelo agora ex-presidente estadual Janiel Hercílio existe uma disputa de maior envergadura: o controle do tempo de rádio e televisão da legenda nas eleições deste ano. Segundo ele próprio admitiu nesta quinta-feira, há vários grupos de partidos brigando por esse ativo eleitoral.
O movimento retira das mãos da direção estadual qualquer definição sobre os rumos do Solidariedade e transfere essa responsabilidade para a Executiva Nacional. Na prática, deixa em suspenso o posicionamento do partido justamente quando as alianças entram em sua fase decisiva.
O pano de fundo ajuda a explicar a decisão. Enquanto Janiel é aliado de Kelps Lima, em guerra com o União Brasil e com o Partido Progressista, a Federação Renovação Solidária — formada por Solidariedade e PRD — está sob o comando de dirigentes ligados ao candidato ao governo Allyson Bezerra. O conflito interno tornou-se inevitável.
Politicamente, o gesto representa mais um capítulo da ofensiva de Kelps para reduzir a base de sustentação de Allyson. Depois do rompimento entre os dois, cada espaço de influência passou a valer ouro. E, numa eleição disputada, até alguns segundos a mais no horário eleitoral podem fazer diferença.
O prazo para a realização das convenções partidárias termina em 5 de agosto. Até lá, o tabuleiro ainda pode ser movimentado. Vamos aguardar os próximos capítulos.