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Diógenes Dantas


O peixe morre na papelada

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O Terminal Pesqueiro de Natal virou mais um monumento à lentidão em setores estratégicos da economia brasileira.

Nove meses depois do leilão realizado pelo governo federal, o equipamento continua preso em estudos técnicos, licenças, análises jurídicas e papeladas intermináveis. Enquanto isso, o cais segue funcionando muito aquém do que poderia — e do que foi prometido.

O cenário é ainda mais frustrante porque o terminal foi vendido como peça estratégica para transformar o Rio Grande do Norte num hub marítimo regional. O discurso era ambicioso: beneficiamento de pescado, abastecimento, gelo, combustível, apoio às embarcações industriais e artesanais. 

Na prática, até agora, o que avança é limpeza, pequenos reparos elétricos e reformas internas.

Tudo isso num equipamento que já estava 95% concluído quando foi arrematado.

A concessionária tem razão ao alegar que precisa cumprir exigências legais e ambientais. 

Licenciamento, acessibilidade e autorizações fazem parte do processo. O problema é que o Brasil parece ter transformado a burocracia num método oficial de paralisar investimentos.

O terminal foi concedido por 20 anos à Turc Operações Marítimas Ltda., empresa gaúcha que arrematou o equipamento em leilão por uma outorga de apenas R$ 21 mil. A obrigação contratual é colocá-lo em pleno funcionamento em até dois anos. O relógio já começou a correr. 

E, até aqui, o empreendimento ainda parece estacionado na fase do “estamos realizando estudos”.

O Terminal Pesqueiro de Natal virou um símbolo do atraso por pelo menos 15 anos. As obras começaram em 2009, chegaram a 95% de conclusão em 2010 e, desde então, o equipamento ficou praticamente abandonado até o leilão realizado em agosto de 2025.

O mais preocupante é que o Rio Grande do Norte assiste a tudo isso sentado sobre um potencial gigantesco na economia do mar, mas sem conseguir tirar projetos estratégicos do papel.

No fim das contas, o Terminal Pesqueiro de Natal corre o risco de repetir uma velha tradição potiguar: obras que passam anos prontas… esperando autorização para começar a funcionar.

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