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Diógenes Dantas


Voto útil da direita: Flávio sonha em liquidar a fatura no primeiro turno

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A dez dias do primeiro turno, a campanha de Flávio Bolsonaro mudou de marcha. 

O candidato do PL tem feito um apelo direto ao eleitor que prefere outro nome da direita: que vote nele já no dia 4 de outubro para, nas palavras dele, "resolver essa parada" no primeiro turno.

E os números mostram que a corrida se estreitou. Na pesquisa BTG/Nexus, Lula tem 40%, e Flávio, 37%. Uma semana antes, a diferença era de cinco pontos.

Na AtlasIntel, divulgada ontem, Lula aparece com quase 46%, e Flávio, com pouco mais de 43%. No segundo turno, as duas pesquisas apontam empate técnico.

Enquanto isso, a chamada terceira via encolhe. O caso mais visível é o de Augusto Cury. No começo de setembro, ele deu um salto nas pesquisas e chegou a 10% na Quaest, contra 2% em meados de agosto. Agora, recuou para 6% no mesmo instituto e aparece com pouco mais de 2% na AtlasIntel.

Somados, Cury, Caiado, Renan Santos e Zema ficam entre 9% e 15%, dependendo do instituto.

Mas é bom ter cautela antes de concluir que a estratégia vai decidir a eleição. 

Primeiro, pesquisa — é sempre bom lembrar — é uma fotografia, não um rastreamento de cada voto. Parte da aproximação se deve à queda de Lula depois da crise no STF e do caso Banco Master. E, na minha avaliação, as "travessuras" do Lulinha também não ajudaram.

Segundo, esse eleitor não é um bloco fechado. Entre os que votam nos outros candidatos da direita, cerca de 30% preferem Lula num segundo turno, e um quarto diz que votaria em branco ou anularia.

Terceiro, os rivais não estão cedendo. Cury, Caiado e Zema resistiram às sondagens para que desistissem e passaram a atacar o senador. Renan já avisou que não apoiará Flávio em eventual segundo turno.

E há um precedente recente. Em 2022, foi o PT quem pediu voto útil para liquidar a fatura no primeiro turno, e a eleição foi para a segunda rodada.

O voto útil pode, sim, concentrar votos. A questão é se ele encerra a disputa no dia 4 ou apenas prepara um 25 de outubro ainda mais acirrado.

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