A sessão da Segunda Turma do STF desta terça-feira (16) transformou-se em audiência de horrores quando o ministro André Mendonça passou a ler, em voz alta, diálogos entre Daniel Vorcaro e o sicário Felipe Mourão extraídos de celulares apreendidos pela Polícia Federal. As mensagens revelam um esquema de intimidação com requintes de máfia operando a partir de Angra dos Reis.
Num dos trechos, Mourão pergunta a Vorcaro se deveria levar policiais federais ou "o pessoal do Rio" para confrontar alvos. Vorcaro responde: "Acho que tem que ser os dois. O bom de dar sacode no chefe da cozinha primeiro, o outro já vai assustar." Pouco depois, Mourão confirma: "Resolvida a demanda do Rio de Janeiro. 100% resolvido." Vorcaro comemora com palavrão.
Do outro lado, as vítimas. Luís Felipe, capitão de barco em Angra, contou à PF que milicianos foram ao seu condomínio ameaçá-lo de morte. Saiu com a família às pressas, abandonando pertences. Leandro Garcia, chefe de cozinha do Hotel Nacional, foi abordado no trabalho por um grupo de ao menos sete pessoas liderado pelo bicheiro Emanuel, que se apresentou dizendo: "Vim a mando do senhor Daniel e eu mexo com o jogo." Mostrou um envelope com dados pessoais da vítima. Ao lado, em silêncio, estava o sicário.
A PF ainda classifica a análise como preliminar. Mendonça avisou: "É muita coisa por vir ainda. Não sabemos nem todos os integrantes da turma." A Segunda Turma manteve as prisões por 3 a 1.