A campanha ao Governo do Rio Grande do Norte mal começou, mas os primeiros movimentos já deixam claro que a disputa será travada muito além dos palanques e do horário eleitoral. A arena escolhida, ao menos neste primeiro momento, é a Justiça Eleitoral — e o principal campo de batalha são as redes sociais.
Não por acaso, o primeiro grande embate envolve justamente o maior ativo eleitoral de Allyson Bezerra: sua presença digital. O ex-prefeito de Mossoró construiu uma comunicação direta, intensa e eficiente, transformando as redes em uma vitrine permanente das agendas que vem cumprindo pelo Estado. É um patrimônio político que os adversários sabem que precisa ser enfrentado.
A representação ajuizada pelo Partido Novo, que resultou na suspensão temporária de três perfis de apoio ao candidato, foi suficiente para incendiar o debate político.
Allyson reagiu imediatamente, transformando a decisão judicial em discurso de campanha. Acusou o adversário Álvaro Dias de tentar silenciá-lo, associou a ação ao sucesso de sua convenção e elevou o tom ao chamar o ex-prefeito de Natal de "candidato das obras inacabadas" e de agir como um "coronel".
Do outro lado, a estratégia também parece evidente. A avaliação é de que limitar o alcance da máquina digital de Allyson logo na largada pode reduzir uma das principais vantagens competitivas do candidato.
Ao que tudo indica, a ordem na campanha de Álvaro Dias é desestabilizar Allyson. Pela reação, pisaram no seu calo.
O episódio revela, sobretudo, que esta eleição tende a ser marcada por uma intensa judicialização, como já ocorre na eleição nacional.
Cada postagem, cada vídeo, cada gesto de campanha será examinado sob a lupa da legislação eleitoral.
Os primeiros movimentos da disputa estadual prenunciam uma campanha de fortes emoções. Quem viver, verá.