Na disputa pela conversão de votos no segundo turno, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm criado plataformas digitais e grupos em aplicativos de mensagem para orientar a militância, mapear eleitores e monitorar o engajamento nas redes sociais. As ferramentas têm sido utilizadas em conjunto com mobilizações de rua e passam por decisões da Justiça Eleitoral.
Entre as páginas desenvolvidas por simpatizantes da candidatura petista está o site "Onde dá para conversar", que mapeia locais de votação com maiores índices de abstenção, votos brancos, nulos e de candidatos da terceira via. Com mais de 2,4 milhões de acessos desde 4 de outubro, a plataforma reúne orientações para a abordagem de eleitores e lista propostas em comum com presidenciáveis derrotados no primeiro turno. Outra ferramenta criada por lulistas é o "Radar da Virada", que acompanha tendências de busca no Google e menções nas redes, além de disponibilizar vídeos para download e compartilhamento.
Monitoramento de engajamento e decisões do TSE
Do lado dos apoiadores de Flávio Bolsonaro, foi lançado o "Flaviômetro", divulgado pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). O site monitora em tempo real a atuação de governadores, prefeitos, senadores e deputados na campanha, elaborando um ranking diário de engajamento e apontando parlamentares e aliados considerados "ausentes" de publicações favoráveis ao candidato.
A atuação digital também gerou disputas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A plataforma "Brasil 22 Token", que prometia a distribuição de criptoativos a usuários que comprovassem postagens a favor de Flávio, foi suspensa por determinação da Corte após representação da campanha de Lula. No caso do canal de WhatsApp "Exército de Lula", criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), a Justiça Eleitoral autorizou o funcionamento mediante o registro do grupo como meio oficial de comunicação da campanha petista dentro do prazo estipulado.
Estratégias de redes e agendas de rua
Para evitar bloqueios judiciais, o PL decidiu registrar oficialmente o canal "Tropa do Flávio", organizado por aliados como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-coach Pablo Marçal (PRTB). Nas redes sociais, militantes bolsonaristas também promoveram a hashtag "FandomscomFlávio" com edições de imagens de artistas internacionais e personagens de animes, em contraposição à mobilização de perfis de apoio à candidatura do PT.
A ofensiva na internet ocorre de forma paralela ao reforço de eventos presenciais. Enquanto o presidente Lula ajustou a linguagem das redes com vídeos no formato "selfie" e participação em atos públicos, a campanha do senador Flávio planeja caminhadas e comícios pelo país organizados por aliados para os próximos dias.