Reeleito para o seu quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mudar a postura nas articulações políticas. Segundo interlocutores, o petista planeja ser muito mais rigoroso nas negociações com os partidos do chamado Centrão para a distribuição de ministérios e cargos estratégicos no novo governo federal.
A mudança de atitude tem um motivo claro. Lideranças do PT afirmam que Lula saiu "transformado" e fortalecido da virada histórica nas urnas. Por isso, a ordem agora é ter critérios rígidos com as legendas do bloco que apoiaram em peso o adversário Flávio Bolsonaro (PL) durante a disputa do segundo turno.
Para evitar as dores de cabeça enfrentadas no atual mandato — quando siglas ganharam pastas importantes, mas não garantiram fidelidade no Congresso Nacional —, a nova estratégia será cobrar compromissos reais. O presidente pretende exigir de cada partido, de forma prévia, o número exato de votos que a legenda poderá entregar ao governo nas votações da Câmara e do Senado.
As movimentações de bastidores, inclusive, já começaram. Emissários de Lula iniciaram os contatos com lideranças partidárias para desenhar a base do futuro governo. Um dos caciques já acionados foi Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que tem previsão de se reunir com o petista ainda nesta semana, após o feriado.