Após uma disputa acirrada e o triunfo nas urnas, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu colocar o pé no freio. Vítima de um forte desgaste físico que o deixou praticamente sem voz na reta final da campanha, o petista escolheu a Granja do Torto, em Brasília, como refúgio durante este feriadão de Finados para descansar e recarregar as energias, prometendo retomar a agenda oficial apenas na próxima quarta-feira (4).
O merecido respiro do chefe do Executivo esvaziou a capital federal. Acompanhando o ritmo de Lula, grande parte dos ministros de estado e até mesmo aliados próximos, como o fotógrafo oficial Ricardo Stuckert, também aproveitaram a folga para deixar Brasília.
Apesar da pausa, os bastidores da política fervem com as articulações para o próximo mandato. O presidente já começou a receber sugestões para a formação de sua nova equipe ministerial, enfrentando o difícil quebra-cabeça de acomodar antigos aliados, membros da atual gestão e líderes do Centrão para garantir apoio no Congresso. A expectativa é que os primeiros nomes do novo governo sejam revelados somente em dezembro.
Antes de se isolar, Lula manteve compromissos importantes. Ele se reuniu com líderes do Congresso, como Hugo Motta e Davi Alcolumbre, atendeu telefonemas de felicitação de diversos chefes de Estado e comemorou seu aniversário de 81 anos. Durante a festa, criticou abertamente a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA: “O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa”, disparou.
A agenda do presidente voltará a ficar intensa nas próximas semanas com uma série de compromissos internacionais de peso. Ainda em novembro, ele deve desembarcar na Turquia para a COP31 e, em seguida, participar da Cúpula da Asean nas Filipinas. O ano se encerra com a reunião do Mercosul, no Uruguai, e a Cúpula do G20, em solo norte-americano, em dezembro.