O Partido Liberal (PL) definiu suas principais estratégias para as eleições que definirão o comando do Congresso Nacional em 2027. Na Câmara dos Deputados, a sigla trabalha para apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). Já no Senado, o partido bateu o pé e fará forte oposição, bancando a candidatura do potiguar Rogério Marinho (PL-RN) para tentar assumir a presidência da Casa.
A movimentação de aliança na Câmara, que será debatida internamente na próxima terça-feira (3), visa proteger os interesses da bancada. Mesmo detendo a maior fatia da Casa, com 121 deputados eleitos, alas do PL, como a liderada por Valdemar Costa Neto, avaliam que a sigla correria o risco de ficar isolada caso tentasse uma candidatura própria. O isolamento poderia custar o comando de comissões fundamentais, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), principal alvo do deputado Nikolas Ferreira.
O xadrez político em torno de Hugo Motta, no entanto, é delicado. O atual presidente da Câmara possui amplo favoritismo e apoio de 15 partidos, incluindo o PT. A ala mais radical do PL resiste a embarcar na reeleição devido a essa aproximação de Motta com o presidente Lula. Em contrapartida, os petistas ameaçam abandonar o bloco se a coligação de Motta abraçar o grupo de Flávio Bolsonaro (PL).
Já no Senado, o cenário é de confronto direto. Com um salto de 15 para 28 senadores, o PL usará sua força como a maior bancada para desafiar o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A indicação de Rogério Marinho mira não apenas o comando administrativo, mas também pautas sensíveis ao bolsonarismo, como o impeachment de ministros do STF — processo que depende do crivo exclusivo do presidente do Senado para tramitar.
A disputa pela presidência do Senado carrega ainda um impacto direto sobre as futuras escolhas de Lula para os tribunais superiores. O chefe do Executivo poderá indicar até quatro novos ministros para o STF e seis para o STJ durante seu mandato. Com o PL e a direita assumindo maior controle da Casa — e tendo Marinho no comando —, o governo pode enfrentar duras resistências e travas nas aprovações de suas indicações.