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Política

Em conversa com Lulinha, Roberta Luchsinger "narrou" suruba com então ministro do governo Lula

O filho do presidente Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger; número de adesões no Senado já atingiu o mínimo exigido | Foto: Reprodução/Redes sociais

Parece que Roberta Luchsinger falou a verdade quando disse que revelou, em entrevista a CNN Brasil, "apenas 1%" do que sabe sobre o empresário Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Afinal, na noite desta sexta-feira (30), mensagens vazadas para a jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, apontam que ela sabia, por exemplo, da participação de Lulinha em eventuais "surubas". 

Segundo a colunista, a troca de mensagens entre Roberta Luchsinger e Lulinha conversavam diariamente e frequentemente se tratavam por “muso” e “musa”. Em uma das conversas, de agosto de 2023, Roberta conta ao filho do presidente que teria flagrado um ex-integrante do governo Lula em uma festa com mulheres no hotel Palácio Tangará, em São Paulo.

Naquele dia, Roberta envia uma mensagem a Lulinha relatando um encontro inesperado. “Ontem fui jantar com o Léo (Slezynger, empresário da Unigel) no bendito Tangará. Quem eu dei de cara no elevador?”, escreveu.

“Fred Telebrás. Jucelino (sic) e mais o secret executivo do Jucelino”, respondeu Roberta, referindo-se ao então ministro das Comunicações, Juscelino Filho. “Mais 5 putas. Uma mesa regada a putaria e bebida”, acrescentou.

“Nussa… os caras são lokos”, reagiu Lulinha.

Roberta continuou o relato: “Puta bebendo champanhe no Tangará. Detalhe: ia rolar suruba mesmo. Estavam subindo p uma suíte. Todos em uma suíte. Pq o 1 andar eh só de suite grande e tal”.

“Tadinha… elas tb merecem… puta só pode beber campari agora”, ironizou o filho do presidente.

MINISTRO DE LULA USAVA FAB PARA FAZER "PUTARIA"

Na conversa, Luchsinger se referia a Juscelino Filho, que comandava o Ministério das Comunicações no governo Lula, e a Frederico de Siqueira Filho, conhecido como Fred, então presidente da Telebras.

O episódio é narrado por Roberta nas mensagens, sem que o diálogo, por si só, comprove que os fatos tenham ocorrido da maneira descrita por ela.

Roberta Luchsinger e Lulinha são investigados pela Polícia Federal no âmbito das apurações sobre fraudes e desvios de recursos do INSS. O filho do presidente Lula está em Madri, na Espanha. Os investigadores apuram a atuação dos dois e suas possíveis conexões com o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Mais adiante na conversa, Luchsinger compartilha um relato de Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha, de que Juscelino costumava usar voos da Força Aérea Brasileira (FAB) em viagens de entretenimento.

“Gustavo disse que Juscelino faz isso direto. Voo FAB, vem jogar e fazer putaria” diz ela. “Esse moço sabe ser feliz”, observa Lulinha. “Eu quero só ver a justificativa do voo”, diz ela.

Atualmente, fatos relacionados a Lulinha e Roberta Luchsinger são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O principal deles, com as apurações mais avançadas, diz respeito às suspeitas de que Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, teriam praticado tráfico de influência no Ministério da Saúde (MS) para vender fármacos derivados de maconha, como o CBD.

Além da relação com Roberta, Lulinha atuou em conjunto com o Careca do INSS na empresa de maconha medicinal Cannabis World. Como mostrou a coluna, os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde Lulinha vive desde meados do ano passado.

Outro inquérito diz respeito a pagamentos que teriam sido feitos por Roberta Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração gira em torno de possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública de processamento de dados.

Nos últimos dias, a defesa de Lulinha tem dito que a autenticidade das mensagens dele com Luchsinger não pode ser atestada. A defesa sustenta, ainda, que o filho do presidente da República não se envolveu em ilícitos ou irregularidades e que está à disposição da Justiça.

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