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Ciro Marques


Caso Cabo Deyvison: por que a Polícia Federal deveria assumir a investigação

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O atentado contra o vereador Cabo Deyvison, em Mossoró, deixou de ser um caso local. Suspeitos presos em operações entre Rio Grande do Norte e Ceará, um Pix de R$ 10 mil rastreado no celular de um dos executores e um modus operandi com planejamento, logística e rota de fuga interestadual apontam para o que já parece óbvio: há uma facção criminosa por trás do ataque que matou o assessor Alyson Dyego e feriu o parlamentar.

A Polícia Civil do RN tem feito um trabalho sólido, com prisões rápidas e avanços reais. Mas há um limite estrutural incontornável: uma polícia estadual tem jurisdição estadual. Quando a investigação exige quebras de sigilo em outros estados, rastreamento de células criminosas interestaduais e mapeamento de fluxos financeiros que cruzam fronteiras, o aparato necessário é o da Polícia Federal.

A própria Constituição respalda essa leitura. O artigo 144 atribui à PF a apuração de crimes com repercussão interestadual que exijam repressão uniforme. Some-se a isso o fato de a vítima ser um vereador em exercício — um ataque que transcende o crime comum e atinge a democracia local. Os requisitos para a federalização estão todos na mesa.

Manter o caso exclusivamente na esfera estadual é correr o risco de a investigação avançar até certo ponto e esbarrar em muros jurisdicionais justamente quando estiver mais perto dos mandantes. A experiência recente no Nordeste mostra que crimes de facção raramente são desvendados por completo sem a participação federal.

Mossoró, a família de Alyson Dyego e o próprio Cabo Deyvison merecem uma investigação sem limites geográficos. A pergunta não é se a PF tem competência para assumir o caso. A pergunta é por que ainda não assumiu.

 

 

 

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