A governadora Fátima Bezerra decretou recentemente que o “time de Lula tem cara, nome e endereço no Rio Grande do Norte”. Na escalação apresentada, entram Cadu Xavier para o Governo e Samanda Alves e Rafael Motta para o Senado.
A pergunta que ficou no ar é simples: Rafael está mesmo nesse time?
Aparentemente, sim. Aparentemente, não.
Se a missão for conter o avanço da senadora Zenaide Maia entre os eleitores de esquerda, Rafael cumpre uma função estratégica para o campo governista. Filiado ao PDT e identificado com setores do lulismo, ele amplia o alcance eleitoral da aliança.
Mas a convivência parece ficar mais complicada quando a disputa passa a envolver diretamente Samanda Alves.
A impressão ganhou força depois que o PT de João Câmara, aliado da prefeita Aize Bezerra, divulgou nota de repúdio às críticas feitas por Rafael à administração municipal. Na prática, o partido deixou claro que não embarca na candidatura do pedetista.
Também não faltam petistas lembrando nas redes sociais que Rafael votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e que sua insistência em disputar o Senado em 2022 teria contribuído para a eleição de Rogério Marinho. Para esse grupo, ele está longe de representar as pautas do chamado “PT raiz”.
O incômodo tem explicação política. Em algumas pesquisas já divulgadas, Rafael aparece à frente de Samanda.
E pesquisa é um detalhe que costuma mudar muito a disposição dos aliados.
Por ora, Rafael Motta segue oficialmente no “time de Lula”. Mas, pela reação de setores do PT, sua condição é a de jogador relacionado para a partida, mas que precisa ficar no banco de reservas.
Titular, para os petistas, só existe uma: Samanda Alves.