A governadora Fátima Bezerra tem pouco tempo para arrumar a casa antes das convenções partidárias.
A decisão do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, de apoiar Álvaro Dias, em vez de integrar a aliança de Cadu Xavier, desmontou o planejamento do PT.
O partido ficou sem vice.
A vaga estava reservada para o PSDB de Ezequiel. Pelo visto, não havia plano B.
Foi aí que surgiu a ideia de remanejar Rafael Motta.
Lançado pelo PDT como pré-candidato ao Senado, Rafael aparece bem nas pesquisas e, em diversos cenários, supera a própria pré-candidata do PT, Samanda Alves, tratada como prioridade por Fátima.
Fátima já sondou o ex-deputado federal para trocar a disputa ao Senado pela vaga de vice.
Ouviu um sonoro "não".
E faz sentido.
Rafael dificilmente abrirá mão de uma candidatura que considera competitiva ao Senado para ocupar a vice de uma chapa que ainda tenta decolar. Cadu Xavier segue em terceiro lugar na maior parte das pesquisas divulgadas até agora.
Mas Fátima ainda não jogou a toalha. Costuma ser persistente nessas horas.
Se a conversa direta com Rafael não surtir efeito, resta recorrer às instâncias nacionais do PDT — leia-se Carlos Lupi — ou ao principal cabo eleitoral do campo progressista: o presidente Lula.
Em Brasília, corre a máxima de que poucos resistem a um telefonema do líder petista.
Por via das dúvidas, é melhor Rafael Motta deixar o celular fora de área.
Câmara alta — Ezequiel Ferreira de Souza não deve fazer muito suspense sobre seus apoios ao Senado. O deputado tem dito aos interlocutores mais próximos que votará em Styvenson Valentim e Zenaide Maia, ambos pré-candidatos à reeleição.