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Diógenes Dantas


Rogério Marinho reconhece que Dark Horse "abalou" a pré-campanha de Flávio Bolsonaro

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Ao admitir em entrevista ao jornal O Globo que o caso “Dark Horse” abalou a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho acabou produzindo algo raro na política: uma confissão pública de desgaste em meio à crise.

E não foi qualquer personagem.

Rogério é coordenador da pré-campanha, líder da oposição no Senado e um dos principais formuladores políticos do bolsonarismo neste momento. Quando ele reconhece o impacto eleitoral, é porque os números internos provavelmente mostram mais do que o discurso oficial vinha tentando sustentar.

A fala chama atenção sobretudo porque o entorno de Flávio vinha tratando o episódio como algo menor, restrito ao noticiário político. Não parece ser o caso.

Ao dizer que a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro deveria ter sido exposta antes, Rogério praticamente admite que houve erro político na condução da crise. Talvez não necessariamente jurídico — como o PL insiste em sustentar —, mas claramente de narrativa e transparência.

Rogério também sinalizou que o entorno de Flávio aposta na divulgação da prestação de contas do filme “Dark Horse” como tentativa de encerrar a crise e virar a página do desgaste político provocado pelo caso.

A comparação feita por Rogério entre o desgaste de Flávio e os escândalos históricos envolvendo Lula revela também a estratégia que o bolsonarismo tentará consolidar: transformar a eleição de 2026 novamente em um plebiscito moral entre PT e Bolsonaro.

O problema é que, desta vez, o discurso anticorrupção já não encontra o mesmo terreno limpo de 2018.

A entrevista também deixa evidente outra preocupação do PL: evitar qualquer discussão sobre troca de candidato. Ao afirmar que Flávio é “plano A, B, C e F”, Rogério tenta passar estabilidade justamente quando crescem, nos bastidores, dúvidas sobre o tamanho real do desgaste.

Em meio à turbulência, Rogério ainda abriu o debate sobre a composição da chapa e deixou escapar o perfil desejado para a vice: alguém capaz de “agregar” politicamente e equilibrar o projeto eleitoral. Citou nomes como Júlia Zanatta, Tereza Cristina, Priscila Costa e Simone Marquetto — sinal de que o PL já começou a discutir alternativas para ampliar pontes além do bolsonarismo mais raiz.

No fundo, a entrevista teve um objetivo central: conter danos sem demonstrar pânico. Mas o simples fato de o comando da campanha precisar entrar em campo para administrar a crise já mostra que o episódio ultrapassou a bolha das redes sociais e atingiu o coração do projeto presidencial bolsonarista.

 


 

Reforma com bisturi — Na entrevista ao jornal O Globo, Rogério Marinho voltou a vender a velha receita liberal do bolsonarismo: equilíbrio fiscal, corte de privilégios e reforma administrativa. O senador defende um Estado mais enxuto, com redução dos chamados “penduricalhos” do serviço público e redefinição do que considera carreira típica de Estado. Ao mesmo tempo, tentou se afastar do discurso de desmonte social ao afirmar que programas sociais eficientes devem ser mantidos. É a tentativa de combinar austeridade fiscal com sensibilidade popular — um equilíbrio que o próprio governo Bolsonaro teve dificuldade de alcançar.

 

Camisa de força — Rogério também endureceu o discurso contra a PEC do fim da escala 6x1. Classificou a proposta como “eleitoreira” e uma “camisa de força” para o setor produtivo, sobretudo para pequenas e microempresas. O senador aposta no argumento de que a mudança pode ampliar informalidade, pressionar salários e elevar preços. Como alternativa, apresentou uma PEC que flexibiliza a jornada de trabalho e permite ao trabalhador optar entre o modelo tradicional da CLT e um sistema baseado em horas trabalhadas. O debate promete incendiar a disputa entre o discurso social do governo e a agenda liberal da oposição.

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