O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já avalia mudanças no comando de estatais, entre elas o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal, em paralelo à formação da Esplanada dos Ministérios, segundo integrantes do Executivo. A informação é do O Globo.
Tarciana Medeiros, que preside o BB desde o início de 2023, deve deixar o cargo. No governo, a saída dela é considerada praticamente certa. Pesam contra a permanência a queda nos lucros do banco e a avaliação de que é natural haver troca nesse tipo de cargo.
Pelas regras em vigor, cabe ao presidente da República escolher o comando do BB. Próxima à primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, Tarciana pode ser deslocada para alguma pasta da área social. Procurado, o BB não comentou.
O BB lucrou R$ 20,7 bilhões em 2025, 45,4% menos que em 2024, quando teve o maior resultado de sua história. O desempenho foi pressionado pela inadimplência no agronegócio e por novas regras contábeis. A piora continuou neste ano: no primeiro semestre, o lucro líquido ajustado somou R$ 7,3 bilhões, 34% abaixo do mesmo período de 2025.
No segundo trimestre houve leve alta, de 3,3%, para R$ 3,9 bilhões, mas sobre uma base fraca, porque um ano antes o lucro havia recuado 60%. Em maio, o banco cortou a projeção de lucro para 2026, de uma faixa de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.
No comando da Caixa há quase três anos, Carlos Vieira foi indicado por Arthur Lira (PP-AL) quando o deputado presidia a Câmara. Eleito senador por Alagoas no último dia 4, Lira não apoiou Lula na eleição. O presidente avalia bem o trabalho de Vieira, mas o executivo só permaneceria na cota pessoal de Lula.
Lula, no entanto, precisará formar uma base de apoio no Congresso para garantir a governabilidade, num cenário mais adverso na próxima legislatura. Além das presidências, o governo poderá negociar vice-presidências dos dois bancos. A Caixa não comentou.
Nos Correios, a tendência é manter Emmanoel Schmidt Rondon. Funcionário de carreira do BB, ele assumiu a estatal em setembro de 2025 com a missão de executar um plano de reestruturação. A escolha é vista no governo como técnica. Também pesa contra a troca o fato de a empresa não despertar hoje o apetite de políticos, ao contrário dos bancos.
Lula também deve manter Magda Chambriard na presidência da Petrobras, cargo que ela ocupa desde maio de 2024. Ela foi escolha pessoal do presidente para substituir Jean Paul Prates.