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Diógenes Dantas


Nem Lula, nem Bolsonaro. Allyson quer distância da polarização

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Se há algo que os principais adversários do PT no Nordeste aprenderam nos últimos anos é que enfrentar Lula em seu território exige cautela redobrada. A popularidade do presidente na região continua elevada e sua capacidade de transferir votos permanece sendo um ativo cobiçado pelos aliados e um obstáculo para os adversários.

Talvez por isso, alguns dos pré-candidatos a governador mais competitivos do Nordeste tenham escolhido um caminho diferente: evitar a nacionalização da disputa e fugir da armadilha da polarização entre o PT de Lula e o PL de Bolsonaro.

A estratégia aparece em estados importantes da região. No Ceará, Ciro Gomes tenta construir uma candidatura estadual dissociada da guerra nacional. Na Bahia, ACM Neto adota postura semelhante. Em Pernambuco, Raquel Lyra também evita transformar a eleição local em um plebiscito sobre Brasília.

No Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra segue pela mesma trilha. Líder na maior parte das pesquisas, o ex-prefeito de Mossoró evita se alinhar às pré-candidaturas presidenciais que hoje dominam o debate político nacional.

A razão é simples. Seus dois adversários mais competitivos apostam justamente na polarização como estratégia eleitoral. De um lado, Cadu Xavier trabalha para associar sua imagem ao presidente da República, investindo na marca "Cadu de Lula". Do outro, Álvaro Dias tenta ocupar o espaço do eleitorado identificado com o bolsonarismo.

Ao permanecer fora desse duelo, Allyson busca evitar que a eleição estadual se transforme em uma disputa por procuração entre o PT e o PL.

Há ainda um componente adicional nessa equação. Sua principal aliada política, a senadora Zenaide Maia, pertence ao PSD, partido que tem Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, mas que, ao mesmo tempo, integra a base governista e ocupa a vice-liderança de Lula no Senado.

Nesse cenário, escolher um lado significaria criar dificuldades desnecessárias dentro da própria aliança.

Por isso, Allyson repete sempre a mesma frase: se eleito governador, trabalhará com qualquer presidente da República escolhido pelos brasileiros, seja Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro nome que venha a ocupar o Palácio do Planalto.

Não deixa de ser coerente. Como prefeito de Mossoró, governou durante os anos de Jair Bolsonaro e também durante o atual governo Lula.

Agora, tenta transformar essa convivência institucional em ativo eleitoral e vender ao eleitor a imagem de um candidato que prefere manter distância da guerra ideológica para disputar a eleição no terreno da gestão.

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