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Política

PF investiga teia de empresas ligadas a R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendido com Sóstenes e aponta contradição de parlamentar

Operação da Polícia Federal apreendeu R$ 468 mil em dinheiro em espécie em um endereço ligado ao líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) — Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados e Reprodução / PF

A Polícia Federal (PF) investiga uma teia de empresas e pessoas ligadas aos R$ 468 mil apreendidos no ano passado em um endereço do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e suspeita de desvio de recursos de cota parlamentar. A investigação aponta contradições na versão apresentada pelo parlamentar, que atribuiu o montante à venda de um apartamento. A informação é do O Globo.

Assim, o primeiro caminho da investigação levou a PF a identificar o que chamou de "complexo arranjo de sociedades empresariais, caracterizado por saques vultosos e uma movimentação financeira de elevada complexidade". Segundo a PF, a engenharia financeira do grupo levantou suspeitas sobre uma tentativa de ocultação da origem de dinheiro.  

Então, a corporação pediu as novas diligências, realizadas nesta quarta, para "desvendar a real finalidade" do grupo e verificar se o dinheiro apreendido com Sóstenes é fruto de saques operados por esta rede.  

As empresas sob investigação, 'Ejus Empreendimentos Imobiliários' e Foco Engenharia e Incorporações, se dizem especializadas em construção de edifícios e são administradas por uma outra companhia, registrada em nome de um dos irmãos sob suspeita da PF. Ambas são registradas no mesmo endereço, mas em salas comerciais diferentes. Ainda de acordo com os investigadores, a Ejus não tem nenhum funcionário formalmente registrado, nem veículos registrados em seu nome. 

Já ao analisar a ficha dos irmãos, a PF apurou que um deles, Jonas Umbelino, é um empresário "com vasta rede de pessoas jurídicas em seu nome, notadamente nos ramos de construção civil e empreendimentos imobiliários, formando estrutura empresarial complexa e ramificada" da qual a Ejus e a Foco fazem parte. Segundo a PF, sua irmã, Jecy, atua na gestão das operações financeiras do grupo empresarial. 

Um relatório das movimentações financeiras das empresas identificou operações com dinheiro em espécie: 22 saques totalizando R$ 4,7 milhões. Já ao analisar todo o grupo empresarial de Jonas e Jecy, os investigadores chegaram a um total de 81 saques em espécie, no valor de R$ 15.542.386,00, todos realizados por um dos dois irmãos. 

Na avaliação dos investigadores, o padrão das retiradas milionárias em espécie, a proximidade das datas das operações e a identidade dos sacadores "reforçam o grau de suspeição sobre a dinâmica financeira do grupo".

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