A decisão de última hora do STF de prorrogar o segundo turno até as 19h neste domingo (25) reacendeu o debate sobre um episódio semelhante ocorrido no passado recente. Em 2022, diante de denúncias de blitze ilegais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que atrasaram milhares de eleitores, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, barrou de forma categórica qualquer pedido para estender o horário de votação além das 17h.
Naquela eleição, as abordagens rodoviárias focaram fortemente no Nordeste, descumprindo uma ordem prévia da própria Justiça Eleitoral. Mesmo reconhecendo os transtornos causados pelas operações, Moraes justificou a recusa da prorrogação alegando que a lentidão nas vias não impediu o cidadão de chegar à urna. "Nenhum eleitor disse que deixou de votar", minimizou o ministro em coletiva na época.
Quatro anos depois, o desfecho nos tribunais superiores foi completamente oposto. O ministro Cristiano Zanin acatou rapidamente uma ação de urgência movida pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), baseada em denúncias de falta de ônibus e redução de frota no transporte público em diversos estados, garantindo duas horas extras de votação.
A crise logística de 2026 também mobilizou o outro lado da disputa. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) acionou a Justiça solicitando a ampliação do tempo, mas com um escopo diferente: o pedido era restrito a municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, castigados por fortes chuvas e alagamentos.
O impasse deste domingo travou momentaneamente o início da apuração nacional. Após a confusão geral nas seções que já estavam encerradas, a ordem de Zanin foi endossada pelo atual presidente do TSE, Nunes Marques, mas com um ajuste final: o prolongamento valeria apenas para as urnas que ainda estavam abertas, selando a diferença de postura da Corte diante dos imprevistos nas duas últimas disputas pelo Planalto.