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Política

Deputado italiano pede investigação sobre cidadania dos irmãos Bolsonaro

Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro  • reprodução redes sociais/ CNN Brasil/ Mário Agra/Câmara dos Deputados

O deputado italiano, Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, apresentou na quarta-feira (28) um pedido de investigação sobre o processo de cidadania de Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, para os Ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália. A informação é da CNN Brasil.

O pedido de investigação foi feito após a fuga de Flávio do Brasil para a Argentina utilizando um passaporte italiano. De lá, o senador partiu para o Equador e depois para os Estados Unidos, onde entrou usando um passaporte diplomático, cancelado pela PF (Polícia Federal).

Bonelli alega que os filhos de Jair Bolsonaro obtiveram a cidadania de forma extremamente rápida, enquanto requerentes comuns levam mais de uma década para conseguir o documento.

Na interpelação, o deputado também ressalta que os irmãos e o ex-presidente são investigados no Brasil e podem usar o documento para "escapar da justiça brasileira."

Flávio e Eduardo apresentaram as solicitações à Embaixada da Itália em Brasília em 2020, diz o documento.

Em 8 de novembro de 2022, foram pessoalmente ao local pedir o adiantamento do processo, uma semana após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais. A cidadania dos dois foi concedida em 2023.

A data do pedido de Carlos Bolsonaro não está clara. A cidadania italiana para ele foi concedida em 2024, segundo a interpelação apresentada.

Bonelli exige que as pastas italianas instaurem uma auditoria sobre o cumprimento do prazo legal de 730 dias (dois anos) para análise e emissão e sobre a igualdade de tratamento para todos os solicitantes.

"Em muitos consulados no Brasil, a espera chega a dez anos, mais de uma década, e muitos são obrigados a recorrer ao Estado. Em Brasília, as convocações estavam suspensas desde agosto de 2018 e, até novembro de 2022, ainda era a vez daqueles que haviam se cadastrado em 2018", declarou o deputado em um comunicado.

Ele ressaltou que, em 2018, já havia mais de 112 mil pedidos acumulados no Brasil. "A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos", ressaltou Bonelli.

Carla Zambelli na Itália

Na interpelação, o deputado também cita o caso da ex-deputada Carla Zambelli, que disse em entrevista à CNN ser "intocável na Itália" após ser condenada no Brasil.

"O caso da ex-deputada Carla Zambelli — que, após uma condenação no Brasil, afirmou sentir-se "intocável" na Itália em virtude de seu passaporte italiano — ilustra o risco de que a cidadania italiana seja utilizada para escapar da justiça em seu país de origem", afirma ele no documento.

Zambelli foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a dez anos de prisão por invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e inserção de documentos falsos. Ela também possui uma condenação de cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Atualmente, a brasileira aguarda em liberdade, em Roma, a decisão da Justiça da Itália sobre sua extradição após passar quase um ano presa na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma.

A Corte de Apelação de Roma adiou na terça-feira (27) o julgamento de repatriação da ex-deputada para 24 de novembro.

O julgamento de extradição se refere à condenação por ter perseguido um jornalista com arma em punho entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022.

O governo brasileiro solicitou que Zambelli cumpra pena no Distrito Federal após a Justiça italiana avaliar que houve parcialidade do STF na condenação por invasão do sistema do CNJ.

Fuga de Flávio Bolsonaro

O candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), chegou com a família às 10h25 desta quarta-feira (28) nos Estados Unidos.

A CNN mostrou com exclusividade o momento em que o avião fretado pousou no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF).

Na operação para fugir do Brasil, Flávio passou pela fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde parou no início da manhã para abastecer. Minutos depois, decolou em direção à Flórida.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria em território argentino, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser questionado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que "aprovaria" a entrada da família no país.

Dois funcionários do governo dos EUA afirmaram à CNN que vistos estão sendo emitidos para o senador, esposa e duas filhas. Um funcionário americano chegou a indicar a Flórida como destino.

Flávio passou a fronteira na noite de terça

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50. O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas.

A Migrações afirma que os quatro apresentaram documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal para a entrada no país, e que não houve incidentes.

Ainda de acordo com o órgão, às 23h30 a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. O destino informado no plano de voo era Guayaquil.

Como mostrou a CNN, o governo de Javier Milei negou, na manhã de terça-feira, que Flávio havia entrado na Argentina.

À CNN Brasil, o Ministério da Segurança, pasta responsável pelo Departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou que o senador, derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25), não entrou no país.

Fontes confirmam destino final

Uma fonte brasileira próxima ao senador disse à CNN que ele temia ser preso no Brasil.

Um conselheiro de Donald Trump disse à CNN que o presidente americano aprovou a entrada de Flávio no país.

O avião é um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW. Segundo a imprensa argentina, ele estava parado no aeroporto de Puerto Iguazú desde segunda-feira (26) e decolou por volta da 0h20 desta quarta. De acordo com o site de monitoramento de voos Flight Radar, a aeronave pousou em Guayaquil pouco antes das 6h da manhã desta quarta-feira.

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