A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi seguida por uma forte queda dos ativos brasileiros negociados no exterior. O iShares MSCI Brazil (EWZ), fundo de índice que acompanha ações brasileiras, recuou 19,14% nas negociações noturnas em Nova York, após uma disputa eleitoral na qual Lula chegou a ficar atrás do senador Flávio Bolsonaro. Com informações da Veja.
A cota do EWZ passou de US$ 42,59, no fechamento de sexta-feira, para US$ 34,44 nas operações realizadas fora do horário regular do mercado. O movimento refletiu o pessimismo dos investidores diante do resultado e das perspectivas para a condução da política econômica no novo mandato.
A reação foi oposta à registrada depois do primeiro turno, quando a expectativa de avanço de reformas econômicas favoreceu a Bolsa brasileira. Na primeira sessão após aquela votação, o Ibovespa subiu 7,7%, para 206.912 pontos. O período também teve entrada de aproximadamente R$ 10 bilhões em recursos estrangeiros, e o índice alcançou um novo recorde dias depois, aos 209.067 pontos.
Contas públicas concentram preocupação dos investidores
O controle das despesas do governo está no centro da apreensão dos agentes financeiros. A perspectiva de um novo mandato é acompanhada por receios sobre a disciplina fiscal e a capacidade de preservar o equilíbrio das contas públicas.
Outra preocupação é a permanência dos juros em níveis elevados diante do risco fiscal. Nesse cenário, a renda variável perde atratividade, enquanto o custo do crédito dificulta a realização de novos investimentos produtivos.
A dívida pública, estimada para encerrar o ano em 83% do Produto Interno Bruto (PIB), também está entre os principais desafios econômicos. A apresentação de medidas para conter seu crescimento e controlar os gastos será um dos pontos observados pelos investidores na avaliação da política fiscal do governo reeleito.