Por Hellen Jambor
As famílias brasileiras estão usando uma fatia cada vez maior do salário para pagar dívidas. Hoje, cerca de 29% da renda já vai direto para esse tipo de compromisso — o maior nível registrado em 20 anos, segundo dados do Banco Central.
Desse total, uma parte significativa é consumida só com juros. Aproximadamente 10% da renda vai para encargos, enquanto quase 19% são destinados ao pagamento das próprias dívidas. Na prática, sobra menos dinheiro para despesas básicas do dia a dia.
O cenário também mostra aumento no número de pessoas com contas atrasadas. A inadimplência chegou a 6,9% no início deste ano, atingindo principalmente quem tem menor renda. Esse grupo acaba recorrendo mais a linhas de crédito com juros altos.
O cartão de crédito aparece como o principal vilão. A maior parte das dívidas em atraso está no rotativo, seguido pelo cheque especial e pelo parcelamento da fatura. Esse tipo de crédito costuma ter taxas mais elevadas, o que dificulta sair do vermelho.
Para tentar conter o problema, o Banco Central limitou os juros do cartão rotativo. Agora, o valor total da dívida não pode ultrapassar o dobro do que foi originalmente gasto. Mesmo assim, o alerta continua: com juros altos, o risco de endividamento segue pressionando o orçamento das famílias.