O assessor de comunicação da Casa Branca Jason Miller confirmou, nesta quinta-feira (29/10), que foi ele quem providenciou o jato particular usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. A confirmação foi dada ao Metrópoles e reforça reportagem publicada horas antes pelo The New York Times, que revelou o envolvimento direto de integrantes do governo de Donald Trump na fuga.
Flávio e a família usaram um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly. A aeronave comporta 13 passageiros em poltronas que se convertem em seis camas, além de forno de convecção, iPads e cozinha com atendimento 24 horas. Segundo o NYT, o senador deixou a Argentina na noite de terça-feira (27/10), fez escala no Equador para reabastecimento e seguiu até Miami, onde desembarcou na quarta-feira (28/10).
O plano foi posto em prática já na segunda-feira (26/10), horas depois de Flávio ser informado de que deveria entregar seus passaportes — medida cautelar determinada um dia antes pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ainda segundo o jornal, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que já vive nos EUA, manteve contato direto com Miller para viabilizar o transporte do irmão assim que soube da intimação. O senador teria embarcado usando o passaporte diplomático brasileiro, documento que já havia sido cancelado pela Polícia Federal por ordem do próprio Moraes.
Donald Trump confirmou publicamente, na quarta-feira, que Flávio recebeu autorização para entrar no país. A entrada se deu pelo chamado "parole", mecanismo que permite permanência temporária de estrangeiros por razões humanitárias urgentes, concedendo a Flávio e à família o direito de ficar nos EUA por até um ano — até outubro de 2027. O Departamento de Segurança Interna americano confirmou que o senador e os familiares passaram por inspeção da Alfândega e Proteção de Fronteiras antes de serem liberados. Uma fonte do governo americano disse ao NYT que Flávio deve solicitar, em algum momento, um green card, com expectativa de tramitação acelerada — no mesmo ritmo dado a Eduardo Bolsonaro, que obteve o benefício rapidamente em julho.
Jason Miller é estrategista de comunicação ligado às campanhas de Trump e aliado de longa data da família Bolsonaro. Ele já havia sido detido e interrogado pela PF no Aeroporto de Brasília em setembro de 2021, em inquéritos do STF sobre financiamento de atos antidemocráticos, ocasião em que participara de reuniões com Jair e Eduardo Bolsonaro. Procurado inicialmente pelo NYT, Miller não quis comentar. Horas depois, confirmou ao Metrópoles ter sido o responsável por articular o transporte aéreo que levou Flávio aos Estados Unidos.