Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram neste domingo (18) do primeiro debate direto entre os dois no segundo turno das eleições de 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes a uma semana da votação final, marcada para 25 de outubro.
Dividido em três blocos, o encontro passou por segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os EUA e maioridade penal, intercalando perguntas dos jornalistas com confrontos diretos entre os candidatos.
Segurança pública foi o primeiro tema: Flávio prometeu declarar "guerra ao narcoterrorismo", classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas e penas de até 80 anos para líderes de facções. Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, a criação do Ministério da Segurança Pública e citou a Lei Antifacção sancionada por seu governo.
Na economia, Flávio questionou se a vida dos eleitores "melhorou ou piorou" e criticou o crescimento da dívida pública, prometendo ajuda a famílias endividadas. Lula defendeu estímulo a MEIs e disse que o país está perto de recuperar o grau de investimento.
O confronto direto foi marcado por um forte foco de Flávio no tema corrupção: o candidato citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS, atribuído ao chamado "Careca do INSS", para acusar o governo Lula de não proteger os aposentados, e também cobrou explicações do presidente sobre a lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula, apontadas em inquéritos no STF sobre suspeita de tráfico de influência.
Lula, por sua vez, rebateu dizendo que o esquema do INSS foi descoberto e combatido em seu próprio governo, e cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse" — hoje investigado pela Polícia Federal. Lula ainda questionou um voto antigo de Flávio contra a licença-maternidade e desafiou o adversário a abrir sigilo bancário e telefônico; Flávio disse não ter "nada a esconder".
Lula também concentrou parte de seus ataques em dois pontos específicos: acusou Flávio de pretender acabar com o fim da escala 6x1 — mesmo após o senador ter votado a favor da medida no Senado, depois de ter se posicionado contra —, e insinuou que a proposta de saúde do adversário, com indicação do médico Claudio Luiz Lottenberg para o Ministério, significaria privatizar o SUS. Flávio negou a intenção de mudar a escala 6x1 e defendeu um prontuário eletrônico único como forma de modernizar o atendimento, sem detalhar a crítica sobre privatização.
Sobre EUA e terras raras, Lula acusou a família Bolsonaro de subordinação aos interesses americanos; Flávio negou e defendeu cooperação entre países das Américas contra o crime organizado.
Ambos convergiram, ao final, na defesa da redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos — posição que Lula passou a adotar apenas na reta final da campanha.
Nas considerações finais, Lula defendeu a continuidade de seu governo e criticou privatizações; Flávio prometeu não fazer promessas que não possa cumprir e reiterou a criação do "Ministério da Prosperidade".
O debate ocorre em cenário de disputa apertada: pesquisas Datafolha e Quaest mostram os candidatos tecnicamente empatados, com Flávio oscilando entre 46% e 47% e Lula entre 44% e 45% das intenções de voto.