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Política

Senado: Marinho e Alcolumbre miram confronto a dois e poupam Tereza

davi alcolumbre, Tereza cristina e Rogelio marinho | Arte/Metrópoles

O lançamento da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) esta semana oficializou a disputa pela presidência do Senado, que se dará no início de 2027. O líder da oposição mirou fortes críticas à atuação do atual presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tentará a reeleição, e poupou a aliada e também candidata Tereza Cristina (PP-MS). A informação é do Metrópoles.

O ex-coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), fez um discurso para a base bolsonarista presente na reunião, com críticas ao senador amapaense por rejeitar pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e priorizar pautas de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no 2º turno.

De postura majoritariamente cordial e protocolar diante das câmeras, Marinho adotou um tom muito mais incisivo contra o provável adversário: acusou Alcolumbre de “cooptar” votos oferecendo vantagens a senadores. A declaração não saiu ilesa, e o presidente voltou a falar de “agentes políticos” que se elegem a partir de “ataques” ao chefe do Legislativo.

“Ele [Alcolumbre] pode cooptar. Como? Com um sorriso bonito? Um abraço fraterno? Não. Com aquilo que ele não pode dizer: com verbas, com vantagens e com atalhos”, disse Marinho.

Alcolumbre e Marinho estão em rota de colisão há alguns meses, com confrontos públicos se tornando frequentes diante da definição da pauta durante a campanha presidencial, além da recusa reiterada do presidente do Senado em dar andamento ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes por envolvimento com o Banco Master.

Se ambos colocam um ao outro como adversários, Tereza Cristina tem sido pouco alvejada pelos adversários diretamente. Por outro lado, a ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) passou a ser alvo de críticas nas redes sociais de bolsonaristas por estar “dividindo a direita” e que a manutenção de sua candidatura poderia beneficiar Alcolumbre.

 

Como é a eleição à presidência do Senado

  • Feita no primeiro dia da legislatura, em 2 de fevereiro de 2027
  • Qualquer senador pode se candidatar, sem necessidade de indicação partidária
  • Os mandatos são de dois anos com possibilidade de mais dois anos desde que seja na próxima legislatura
  • A sessão de votação é feita por cédula de papel e em uma urna física. O voto é secreto
  • Para ser eleito, é necessário ter a maioria simples dos votos dos 81 senadores, que é de 41 votos

Proximidade

Tereza e Alcolumbre se dizem amigos. Interlocutores ouvidos pela reportagem classificam a relação entre ambos como “excelente”, apesar da possibilidade de serem concorrentes na disputa à Presidência do Senado.

A líder do PP faz a ponte entre a oposição e o presidente em momentos de estremecimento, chegando a ser a única a conseguir falar com Alcolumbre por telefone uma época.

No entanto, Alcolumbre conseguiu uma vitória importante contra Tereza logo no início da disputa, ao costurar e ter o anúncio público da Federação União Progressista, da qual ambos fazem parte, em apoio à sua reeleição. A declaração tomou parte da bancada de surpresa e Tereza disse que a próxima legislatura ainda tomará posse e terá “autonomia” para decidir em quem votar.

Por ora, aliados do presidente do Senado contam ter maioria para reelegê-lo, com apoio do MDB, PSD e do governo Lula, enquato Marinho se vale da robusta bancada recém-eleita do PL, os senadores do Novo e dissidentes descontentes de outros partidos com a condução de Alcolumbre.

Tereza, por sua vez, conta com o apoio velado de dissidentes de ambos, além de integrantes da bancada feminina.

Ex-ministros de Bolsonaro e companheiros

No lançamento da sua candidatura, Rogério Marinho pediu aos mais de 30 parlamentares presentes que não façam ou incentivem ataques a Tereza Cristina. O líder da oposição voltou a dizer que ambos são “companheiros” e que estão “alinhados no mesmo propósito”, que é derrotar Davi Alcolumbre.

“No momento oportuno, pelo nosso acerto, nós vamos convergir. Até porque nós estamos no mesmo lado, defendemos as mesmas coisas e as mesmas bandeiras e acreditamos que é necessário que haja uma mudança na presidência do Congresso Nacional”, disse Marinho.

Ao longo das últimas semanas, os dois ex-ministros de Bolsonaro têm repetido que caminharão juntos ao fim desta eleição e que um dos dois deverá desistir do pleito em favor do outro, vencendo àquele que tiver maior número de apoios contra o atual presidente do Senado.

Uma estratégia semelhante foi utilizada na disputa para o comando da Câmara dos deputados em 2025, quando o então líder do União Brasil Elmar Nascimento (BA) e o líder do PSD Antonio Brito (BA) se aliaram como candidatos contra o atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). Venceu o deputado paraibano.

Na quinta-feira (5/11), Jair Bolsonaro pediu ao STF para se encontrar com Marinho e Tereza. Atualmente o ex-presidente cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. O encontro deverá dar os rumos da direita na disputa pela cadeira de Davi Alcolumbre.

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