As prisões ocorreram no município de São José de Mipibu, na Região Metropolitana de Natal, e no bairro Lagoa Nova, na Zona Sul da capital. A ação contou com apoio da Polícia Militar.
De acordo com as investigações, o grupo atuava na cobrança violenta de dívidas provenientes de empréstimos informais. As vítimas eram obrigadas não apenas a pagar valores supostamente devidos com juros abusivos, mas também quantias extras relacionadas a alegados prejuízos financeiros decorrentes da “Operação Amicis”, realizada em junho de 2025.
Na ocasião, a operação anterior teve como alvo um esquema milionário envolvendo empresários, influenciadores e contadores, com o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão em Natal e na Região Metropolitana.
Ainda segundo a apuração, após ter bens apreendidos, um dos investigados passou a tentar repassar o suposto prejuízo às vítimas, utilizando ameaças e coação. O grupo evoluiu para práticas de terror psicológico contínuo, com monitoramento da rotina das vítimas, incluindo informações sobre horários e deslocamentos de crianças e adolescentes, o que configura grave violação à segurança familiar.
Também foram registrados episódios de vigilância constante nas residências e condomínios, com rondas frequentes. Em um dos casos, um bilhete ameaçador foi deixado dentro do sapato de uma das vítimas, reforçando o clima de perseguição.
Durante a operação, em dois endereços ligados ao empresário, em Lagoa Nova, foram apreendidos valores em moeda nacional e estrangeira: cerca de 7.535 dólares, 700 euros e R$ 12.700 em espécie, totalizando aproximadamente R$ 55,7 mil.
Além disso, cinco veículos foram apreendidos, incluindo um carro que teria sido utilizado nas ações de intimidação e que aparece em registros das investigações. Todo o material será analisado para aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo.
Um dos presos é sargento da Polícia Militar do RN e já possui histórico de envolvimento em crimes graves. Ele havia sido preso na “Operação Caronte”, em 2024, por suspeita de participação em grupo de extermínio e homicídios, além de já ter respondido por peculato. Nesta nova ação, foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
A operação contou com cerca de 70 policiais civis e apoio do Canil da PCRN. As cadelas Aika e Luna auxiliaram nas buscas, sendo que uma delas localizou um celular pertencente a um dos investigados.
O nome “Última Ceia” faz referência a um episódio simbólico identificado durante as investigações: um dos suspeitos se autointitulava “escolhido de Jesus” e chegou a ser encontrado dentro da casa de uma vítima, sentado à mesa do café da manhã, sem autorização — um ato que evidencia o nível de intimidação imposto.
A Polícia Civil reforça a importância da colaboração da população e orienta que informações anônimas podem ser repassadas por meio do Disque Denúncia 181.