O Brasil enfrenta um cenário preocupante no setor de combustíveis, com risco de desabastecimento caso o governo insista em intervir nos preços enquanto o petróleo dispara no mercado internacional. Para Rita Mundim, colunista do CNN Money, o cenário brasileiro é "uma mistura explosiva".
A defasagem entre os preços praticados internamente e a cotação internacional já atinge 74% para o diesel e 55% para a gasolina, segundo a Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis).
O cenário é agravado pela escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do barril de petróleo.
"No Brasil, nós temos refinarias privadas, na Bahia e temos também no Amazonas, essas refinarias já reajustaram o preço delas, elas subiram o diesel, então elas estão muito próximas de fecharem com a paridade internacional", afirma Mundim.
Dependência de importações agrava situação
Mundim destacou que, apesar de o Brasil ser autossuficiente em petróleo, o país depende da importação de 25% do diesel consumido e entre 10% e 15% da gasolina.
Isso ocorre porque o petróleo do pré-sal não é totalmente processado pelas refinarias nacionais. Durante períodos específicos, como a atual safra da soja, a necessidade de importação de diesel pode chegar a 30%.
A situação gera insegurança na cadeia de abastecimento, pois donos de postos e distribuidores temem vender combustível no preço atual e não conseguir repor estoques posteriormente, devido à alta constante dos preços.
"Quem tem o estoque fica com medo de vender e perder a sua margem, perder o seu capital de giro", afirma Mundim.
A colunista ainda destaca que o problema atual poderia ter sido evitado se projetos de refinarias planejados em 2015 tivessem sido concluídos.
"Se essas refinarias que foram projetos em 2015 estivessem funcionando em 2026, nós seríamos autossuficientes na produção de diesel e na produção de gasolina, refinando o petróleo do pré-sal e não estaríamos nesse sufoco."