O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), anunciou hoje (7), em um hotel de Natal, pela primeira vez, que é pré-candidato ao Governo do RN. E isso, sim, é relevante.
Durante todo o período de pré-campanha, analistas políticos, comentaristas e potenciais apoiadores esbarravam sempre no mesmo argumento: “Mas ele nunca disse que é pré-candidato”.
A frase era repetida toda vez que surgia a hipótese do prefeito de Mossoró abrir mão da disputa, mesmo liderando as pesquisas. A dúvida, portanto, não era apenas eleitoral; era também sobre disposição política.
Allyson fez o anúncio justamente em um momento difícil do calendário pré-eleitoral, logo após virar alvo de uma operação da Polícia Federal, quando já havia quem sustentasse que ele poderia, de fato, recuar.
Ele decidiu transformar a crise em gesto de confirmação: reuniu parte dos aliados (não todos) e se colocou num caminho sem volta.
As críticas terminaram? Não. Elas começaram a mudar. Do candidato "duvidoso", Allyson virou em poucas horas o "candidato do acordão". Afinal, quem não está na direita de Bolsonaro, nem na esquerda de Lula, vira o candidato do "centrão" (pejorativamente) para aqueles que estão nos extremos.
As dúvidas do passado e as críticas do presente não são por acaso. O objetivo dos adversários é tirá-lo do segundo turno, porque, contra qualquer um, ele entraria com chances reais de vitória.
Um petista dificilmente votaria em um bolsonarista no segundo turno, e vice-versa. Allyson pode sim capitalizar nessa condição. Por isso, precisam tirá-lo antes que chegue lá.