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Política

O encontro surpresa entre Alcolumbre e Messias antes de sabatina

Jorge Messias | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O advogado-deral da União (AGU), Jorge Messias, se encontrou na semana passada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em Brasília, conforme apurou O Antagonista.

O encontro ocorreu dias antes da sabatina do indicado do presidente Lula (PT) para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e não estava planejado. O ministro Cristiano Zanin, do STF, realizava um café em sua residência com Alcolumbre e, posteriormente, chegaram Alexandre de Moraes e Messias.

O AGU será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira, 28, como parte do processo para ser nomeado ministro do STF. Após a sabatina, a CCJ votará a indicação de Lula. Se for aprovada, o nome seguirá para votação no plenário do Senado, onde Messias precisará de pelo menos 41 votos favoráveis.

As votações na CCJ e no plenário são secretas. Lula indicou o AGU para o cargo de ministro do STF na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

No ano passado, Alcolumbre ficou extremamente incomodado com a indicação de Messias e pela forma como soube da notícia: pela imprensa. O presidente do Senado era o principal fiador da indicação de Rodrigo Pacheco, ex-presidente da Casa.

Integrantes da oposição ao governo Lula prometem intensificar nesta semana a pressão contra senadores que são a favor da indicação de Jorge Messias.

A ideia é fazer um trabalho de convencimento conjunto em várias frentes: a primeira – usar as redes sociais para pressionar parlamentares que estão indecisos, mas que o Palácio do Planalto conta como votos favoráveis ao AGU.

A segunda: partir para o corpo-a-corpo no Congresso e buscar convencer esses senadores a rejeitar a indicação de Messias. “É um trabalho que nem mesmo o PT fez quando da indicação de Alexandre de Moraes por Michel Temer”, ilustrou um integrante da oposição em caráter reservado a O Antagonista.

“A indicação de Jorge Messias pode colocar alguém no STF que atuou politicamente para censurar adversários do governo Lula e nunca demonstrou a isenção necessária de um magistrado. Isso aprofunda o aparelhamento e ameaça o equilíbrio entre os poderes. O Senado precisa reagir para proteger a democracia e resgatar a normalidade democrática”, disse o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), pelas redes sociais.

Como mostramos na semana passada, o Palácio do Planalto mantém um otimismo moderado com a aprovação de Messias. A expectativa dos aliados de Lula é que o atual advogado-geral da União tenha entre 45 e 47 votos em plenário. A esperança da oposição é conseguir “virar” entre cinco e oito votos, o que poderia garantir a rejeição do nome de Messias.

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