“Lula está desesperado por medidas populistas”. A frase entre aspas é do deputado federal por São Paulo, Kim Kataguiri. A crítica expõe, de forma direta, o risco que o Brasil pode enfrentar nesta reta final do terceiro mandato de Lula.
Em baixa nas pesquisas - algo inédito até mesmo quando foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso nos anos 90 -, o governo do presidente Lula da Silva passa a emitir sinais cada vez mais claros de desgaste e perda de fôlego político.
E é justamente nesse cenário de fragilidade que mora o maior risco para o país. Explico. O Brasil pode caminhar para um roteiro semelhante ao fim do segundo mandato de Dilma Rousseff. Também pressionada e desgastada, a ex-presidente adotou medidas de curto prazo para garantir a reeleição. Conseguiu vencer nas urnas, mas deixou como herança uma economia destruída e um país em crise.
Agora, Lula dá sinais de que pode trilhar caminho parecido ao da aliada que acabou sofrendo impeachment. Diante de estratégias que não surtiram o efeito esperado, o governo parece partir para uma aposta mais agressiva: o tudo ou nada.
A lógica por trás das ações é clara: ampliar popularidade a qualquer custo e tentar reverter o desgaste. O problema é quando medidas de forte apelo social não vêm acompanhadas de sustentabilidade fiscal. A história recente mostra que esse tipo de estratégia pode cobrar um preço alto, e rápido.
A conta, cedo ou tarde, chega. E, quando chega, não fica em Brasília, recai diretamente sobre o bolso do brasileiro.
O desespero político, quando se transforma em política pública, costuma ser um péssimo conselheiro. Resta saber se, desta vez, o eleitor vai perceber o risco antes que a fatura apareça.