Apesar de ter administrado Natal por quatro vezes, Carlos Eduardo não tem mais o mesmo tamanho eleitoral de anos passados. Isso é inegável. Derrotado em 2024 sem nem mesmo chegar ao segundo turno na capital potiguar, saiu pequeno demais das urnas. Mas, nunca havia sido humilhado publicamente como agora. E o pior, pelo próprio partido e pelo pré-candidato a governador que escolheu (?) apoiar.
O ex-prefeito se filiou ao União Brasil no limite do prazo eleitoral. A justificativa nos bastidores foi a perspectiva de uma pré-candidatura ao Senado, que poderia ser impulsionada pela pré-candidatura do seu colega de partido, Allyson Bezerra, ao Governo. Mas, desde o princípio, viu seu nome sofrer resistência. Principalmente do grupo da senadora Zenaide Maia, a quem o via como uma ameaça à reeleição.
Cerca de um mês depois da filiação, veio a humilhação. Em nota, disse que está fora da disputa majoritária de 2026 porque o União Brasil não vai priorizar a disputa pelo Senado no RN e não terá recursos partidários para isso. Uma desculpa esfarrapada de envergonhar até quem não entende nada de política. Constrangedor.
Carlos Eduardo deixa a disputa não por opção dele. Foi descartado pelo próprio grupo que alimentou esta possibilidade nos últimos meses. Na nota, manteve a postura, agradeceu ao partido e evitou qualquer recado de insatisfação a Allyson. Apesar de que, ao tomar a decisão de publicizar o argumento apresentado, acabou expondo a cara de pau dos que comandam o União Brasil.
Resta saber se, na prática, Carlos Eduardo aceitou ser humilhantemente descartado e se vai continuar apoiando o grupo do qual faz parte, ou se vai tentar dar o troco na campanha eleitoral que se aproxima. Apesar do viés de baixa, o ex-prefeito ainda possui sim certa influência eleitoral, que em uma disputa acirrada pode acabar contribuindo para a vitória ou para a derrota dos candidatos. É aguardar.