Nunca pensei que veria um jogador brasileiro ser idolatrado na Argentina. Bairristas como são os hermanos, nunca sequer deram o braço a torcer no debate entre Pelé e Maradona.
Ver a forma como Neymar foi recepcionado em solo argentino é impressionante. Isso mostra que o povo de lá tem um carinho especial pelo craque.
Uma criança com o nome de “Neymar” ganhou até um encontro VIP. Será que vamos nos vingar da invasão de “Riquelmes” no Brasil?
Desde sua chegada, a imprensa argentina não fala em outra coisa. O perfil nas redes sociais do San Lorenzo, adversário do Santos, já enviou uma mensagem com um aviso carinhoso: “Você vai se apaixonar, Neymar”.
Galoppo, ex-São Paulo, pediu para se atrasar no treino do River Plate somente para encontrar Neymar no hotel. Ander Herrera, do Boca Juniors, fez o mesmo.
Sempre falei: os argentinos torcem melhor pela sua seleção do que os brasileiros. Torcem a ponto de quase crucificarem o maior jogador de sua história, Lionel Messi, antes de ele ganhar a Copa do Mundo. Antes disso, o argentino era conhecido como “pecho frio”, termo usado para os hermanos que não vibram e não têm sangue quente.
Não vou elogiá-los tanto, pelo histórico racista e pelo complexo de superioridade, contudo, são melhores torcedores do que nós. Os times são populares. Do povo mesmo. A seleção ainda é do povo também. Aqui, elitizaram e tiraram nossa essência.
E essa situação de Neymar lá me surpreende ainda mais por conta disso. É um jogador que furou essa barreira.
Há um vídeo que fala sobre a final em que o Brasil foi derrotado pela Argentina na Copa América. O relato dos jogadores, de todos eles, não era sobre o Brasil ou sobre a conquista. Era sobre como foi difícil parar Neymar naquele dia. E todos falam com admiração. É algo diferente.
Surpreendentemente, temos um brasileiro ídolo na Argentina.