Judson, do América, foi o último jogador que se posicionou sobre sua saúde mental. O assunto é bastante negligenciado ainda nesse meio tão pesado que virou o futebol.
Ainda agem com repulsa a ter psicólogos nos clubes e tratam doenças sérias como frescura.
Tratam jogadores como robôs. Eles devem cumprir a expectativa de vida que todo mundo deseja e não realizar as próprias vontades.
Jogam nas costas dos jogadores, responsabilidades que sequer são deles. Invadem CT, divulgam fake news ou informações tendeciosas. Pouco se importam com quem está do outro lado, sendo o teto de vidro.
Costumo dizer: é muito fácil apedrejar Maria Madalena. Difícil é olhar para si e ver que está fazendo cobranças de coisas que você repetiria ou, talvez, faria pior.
Viramos moedores de pessoas. Essa é a verdade. Judson se pronunciou e foi corajoso. Um passo importante para vencer a depressão é aceitar e compreender seu momento.
Imagine quantos não se escondem em frustrações por não conseguirem dar esse passo e buscar tratamento. Inúmeros se omitem de falar a verdade, pela rejeição que há, numa busca excessiva de mostrar-se machão.
Olha quantas joias perdem o brilho e conta quantos jovens se perderam no caminho. Aí, depois, me diz: quando vamos começar a tratar saúde mental como algo importante no futebol e em outros esportes?
E nós, como imprensa, quando vamos parar de agir como páginas de fofoca e voltar a nos concentrarmos no campo? Se o externo fizer o rendimento cair, é uma coisa. Agora, se o externo é mais noticiado que o interno, me perdoem, é motivo de vergonha.