Publico essa matéria me sentindo, até, me desculpem, na vanguarda desses estudos todos da CBF Academy. Era absolutamente e totalmente necessário que fosse feito esse estudo e correção de rumo, pois o futebol do Brasil estava cada vez mais no fundo do poço perdendo qualidade, velocidade, identidade e cada vez reduzindo as chances dos jovens valores da base. Defendo inclusive que a redução para cinco estrangeiros por equipe viesse antes do ano da Copa do Mundo, 2030, essa demora ainda vai nos causar prejuízos. Não por menos, tivemos uma seleção de figurinhas ruins e carimbadas, quando jovens como André, Breno Bidon, Caique Bruno, Jonathan Jesus, Estêvam, Rayan, Luiz Henrique,e ntrte outros, já deveriam terem sido muito mais rodados na seleção.
Veja a matéria completa
A CBF fez nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, a quarta reunião com clubes das Séries A e B dentro do processo de construção de uma liga do futebol brasileiro e valorização das competições. Em votação, clubes e federações aprovaram a redução gradativa do limite de atletas estrangeiros em súmula e a reformulação das grades e dos horários das partidas das duas divisões do Campeonato Brasileiro.
Na oportunidade, representantes dos 40 clubes das Séries A e B e das federações estaduais assistiram a uma apresentação sobre o atual cenário do futebol brasileiro, feita a partir de um estudo da CBF Academy debruçado na revisão das regras de inscrição de atletas, incluindo o número de estrangeiros, e a padronização dos dias e horários das partidas das Séries A e B.
“Com o objetivo de melhorar o produto do futebol brasileiro, trouxemos hoje duas medidas: uma relacionada à dimensão de jovens talentos, a gente tem um diagnóstico de que os jogadores sub-23 brasileiros têm jogado cada vez menos, em contrapartida o número de estrangeiros aumentou substancialmente nos últimos anos, e isso fez com que os jovens brasileiros tenham cada vez menos espaço. A medida que propomos agora mantém um número importante de estrangeiros, entendemos a importância do estrangeiro no futebol brasileiro, mas, tanto com a redução do limite de estrangeiros, quanto com alterações no molde de inscrição de atletas na competição, tentamos dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times, principalmente no médio e longo prazo. O segundo objetivo, em relação à padronização de horários, é que temos um diagnóstico que hoje os jogos concorrem em variados horários. A nossa proposta foi de trazer uma grade fixa de horários para depois debater com os detentores que compraram o Campeonato Brasileiro, tanto da série A quanto da série B, para a gente ter de fato um horário padrão do futebol brasileiro”, disse o diretor executivo da CBF, Helder Melillo.
Inscrição de atletas
O estudo elaborado pela CBF Academy e apresentado pela CBF aponta uma elevação da idade média dos jogadores da Série A, que passou de 27,3 anos em 2021 para 28,5 em 2026.
O comparativo apresentado mostra que o Brasil possui a maior média de idade entre as seis ligas analisadas (Espanha, Alemanha, Inglaterra, França e Itália completam a análise). O cenário também aparece nas contratações: a idade média dos reforços que chegam aos clubes brasileiros é de 26,3 anos, acima das principais ligas europeias analisadas.
O cenário se reflete também nos indicadores físicos: os dados apresentados mostram que o Brasileirão registra menor volume de corridas em alta velocidade (entre 20 e 25 km/h) e de sprints (acima de 25 km/h) na comparação com as principais ligas europeias. O estudo aponta ainda que jogadores entre 18 e 24 anos apresentam desempenho superior nessas métricas de intensidade, justamente a faixa etária que vem perdendo participação no futebol brasileiro.
O recorte analisado evidencia que estes dados coincidem com a mudança no perfil de contratações e a atual composição do futebol brasileiro. Enquanto a chegada de jogadores veteranos e estrangeiros aumenta neste período, a minutagem de jogadores formados nas categorias de base dos clubes brasileiros diminui.
Em 2026, atletas Sub-23 registraram 13,8% dos minutos disputados na Série A. O percentual é inferior ao registrado em França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%).
Entre 2020 e 2026, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos cresceu 3,2 vezes, passando de 7,8% para 25% dos minutos da Série A. No mesmo intervalo, a minutagem dos brasileiros Sub-23 caiu de 28,3% para 11,5%. Somados brasileiros e estrangeiros, os atletas Sub-23 ocupam atualmente 13,8% dos minutos no país, enquanto nas principais ligas europeias analisadas o índice varia entre 28% e 38%.
A evolução coincide com a ampliação gradual do limite de estrangeiros relacionados por partida. Em 2013, era permitido que três estrangeiros fossem relacionados por partida nas competições nacionais. O número aumentou para cinco em 2014, patamar em que se manteve até 2022. A partir de 2023, o número saltou para sete em 2023 e chegou a nove em 2024, patamar mantido atualmente.
Nesse período, cresceu também a presença efetiva desses atletas nos jogos. Na Série A, 95 estrangeiros entraram em campo em 2022; em 2025, foram 162 e, em 2026, 146 já haviam sido utilizados até o momento do levantamento, com outros 13 inscritos e ainda em condições de estrear.
Os números colocam no centro do debate o equilíbrio entre a contratação de atletas mais experientes (brasileiros ou estrangeiros) e a abertura de espaço para jogadores formados nas categorias de base.
A questão tem também impacto econômico. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior consideradas no período, muito acima das receitas dos pares europeus na mesma faixa etária. A redução de oportunidades para esses jogadores impacta também em relação à capacidade dos clubes de formar, desenvolver e negociar novos talentos.
A proposta apresentada pela CBF teve origem a partir de um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores durante reuniões do Grupo de Trabalho da Base Brasileira, e foi aprovada pelos clubes e federações com apenas dois votos contrários.
A iniciativa prevê que o número limite de estrangeiros em súmula por jogo, que atualmente é 9, diminua gradativamente até 5 estrangeiros na súmula por jogo em 2030, voltando ao mesmo patamar de 2022. O limite então seria de 8 em 2027, 7 em 2028, 6 em 2029 e 5 em 2030. Vale destacar que a média de estrangeiros por jogo na Série A é de 5,4 relacionados por partida, de acordo com um universo de 219 partidas analisadas.
A proposta para a lista de inscritos também prevê uma mudança gradual até 2030, mas mantém o limite total de 50 atletas por clube. A lista seria dividida em dois grupos: a Lista A, destinada ao elenco principal e com limite para jogadores acima de 23 anos, e a Lista B, formada por atletas Sub-23, sem exigência de terem sido formados pelo próprio clube. Em 2027, seriam 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B. A proporção passaria para 29 e 21 em 2028; 27 e 23 em 2029; e chegaria a 25 atletas em cada lista em 2030.
A medida busca ampliar o espaço destinado aos jogadores mais jovens sem reduzir o número total de inscritos. O levantamento apresentado pela CBF mostra ainda que a adequação inicial teria impacto limitado sobre os elencos atuais: 33 dos 40 clubes das Séries A e B já possuem até 30 jogadores acima de 23 anos inscritos, mesmo sem a regra estar em vigor.