O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou, nesta quinta-feira (25), um novo habeas corpus protocolado pela defesa da influenciadora Deolane Bezerra. Com a decisão, a advogada permanece presa na penitenciária de Tupi Paulista, no interior do estado. A informação é do Metrópoles.
Em nota, os advogados que a representam disseram que "lamentam o resultado" e que irão recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para um novo pedido de liberdade.
Além desse habeas corpus, outro pedido tramita na Justiça Paulista. Ele foi protocolado após a defesa alegar violação das prerrogativas profissionais da advogada e pedir a transferência dela para uma sala de Estado-Maior.
A influenciadora é ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela está presa desde 21 de maio.
Pedidos de liberdade negados
Anteriormente, outros dois pedidos haviam sido feitos no Tribunal de Justiça de São Paulo, um já havia sido negado, e o outro o magistrado entendeu não ter competência para julgar a solicitação e ela foi arquivada.
No mesmo mês em que foi presa, a defesa de Deolane também havia ingressado com um pedido de prisão domiciliar no STF (Supremo Tribunal Federal). Na ocasião, o ministro Flávio Dino negou o pedido afirmando não ver ilegalidade evidente que justificasse intervenção excepcional da Corte para rever imediatamente a prisão preventiva.
Por que Deolane foi presa?
Deolane foi presa em meio a uma operação conduzida pela Polícia Civil e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, do Ministério Público de São Paulo.
Segundo as autoridades policiais, a estrutura financeira da advogada teria sido usada para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ao todo, ela abriu 35 empresas fantasmas em um mesmo endereço para lavar o dinheiro da facção.
Uma das pistas colhidas pelos investigadores surgiu de um celular apreendido com os donos de uma transportadora fantasma, onde foram encontrados comprovantes de depósitos diretos para duas contas de Deolane. Os investigadores apontam que os repasses aconteceram em um contexto de "fechamento de contas" do PCC, e não como pagamento por serviços advocatícios legais.
Com isso, a influenciadora, de acordo com a polícia, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.
Influencer virou ré
Em 18 de junho, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do MPSP (Ministério Público de São Paulo) contra a influenciadora Deolane Bezerra Santos e Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), líder do PCC, tornando-os réus por lavagem de dinheiro e organização criminosa.