O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo (foto), afirmou nesta quinta-feira (25), que o Copom (Comitê de Política Monetária) pode ter errado ao tentar “explicar demais” a decisão sobre a redução da taxa básica de juros, a Selic, na reunião da semana passada. A informação é do O Antagonista.
Galípolo, contudo, negou que tenha havido falta de transparência na comunicação do colegiado.
“A imprensa especializada apontou com razão que o problema foi tentar explicar demais do que falta de transparência”, disse.
Segundo ele, o parágrafo incluído no comunicado para sintetizar a decisão do Copom “pode ter se tornado complexo”.
O presidente do BC também afirmou que nenhum banco central do mundo costuma estabelecer, de forma antecipada, uma trajetória para as futuras decisões sobre juros.
“Em momentos de maior incerteza é normal esse desejo por algum tipo daquilo que a gente chama de guidance, ou seja, por sinalizações do que o Banco Central fará no futuro, que ele possa sinalizar hoje o que ele fará no futuro“, disse.
Ata
Na ata da última reunião, a autoridade monetária afirmou que a piora das projeções de inflação exigiria “variações abruptas de direção e de grande magnitude” na taxa básica de juros para recolocar a inflação na meta.
Galípolo também rejeitou as críticas de que o corte teria sido motivado pelas eleições de outubro.
“Se você entende como funcionam as defasagem de política monetária, não tem cabimento falar que qualquer decisão de hoje terá efeitos na economia que terá impacto na eleição”.
Corte de 0,25 ponto percentual
Em 17 de junho, a autarquia reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentualde 14,50% para 14,25% ao ano, em decisão unânime.
O movimento representa o terceiro corte consecutivo desde março, quando a Selic estava em 15%.
A instituição financeira, porém, deixou os próximos passos em aberto diante do cenário de incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e com eventos climáticos.
“O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a. No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz trecho do comunicado.
Em abril, a projeção oficial do Copom para o IPCA, que utiliza a taxa Selic do Boletim Focus, era de 4,6% no fim de 2026 e de 3,5% no fim de 2027.
O último horizonte é o prazo com o qual o BC trabalha atualmente para colocar a inflação na meta. O alvo é de 3,0%, com nível de tolerância entre 1,5% e 4,5%.