O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negou nesta terça-feira (27) que o parlamentar tenha deixado o Brasil. A declaração foi dada após o jornal argentino Infobae publicar que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina durante a madrugada, com destino aos Estados Unidos. “Não saiu”, afirmou Marinho à coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
A suposta viagem teria ocorrido um dia depois de Flávio divulgar que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega de seus passaportes e o proibido de sair do país. As informações sobre o deslocamento foram contestadas pelo coordenador da campanha.
Segundo o Infobae, o senador teria entrado na província argentina de Misiones utilizando apenas a carteira de identidade. Em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR), embarcaria em um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A. A decolagem estava prevista para as 2h, no horário local.
O veículo argentino informou que a companhia solicitou liberação alfandegária e de imigração para quatro passageiros e três tripulantes. Ainda conforme a publicação, dados do FlightRadar indicavam que a aeronave havia chegado a Puerto Iguazú procedente de Buenos Aires. Essas informações, por si só, não confirmam a presença de Flávio no avião.
Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais relatando ter sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Foi nessa gravação que o parlamentar anunciou a determinação que atribuiu a Moraes.
Na versão apresentada pelo senador, a medida teria como fundamento uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Em 23 de outubro, Eduardo disse que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou Flávio.
O Infobae apresentou outra explicação para a restrição: uma investigação por suposta lavagem de dinheiro envolvendo a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz. Segundo o jornal, o advogado também é citado em apurações sobre movimentações financeiras no setor de apostas.
No vídeo divulgado na segunda-feira, Flávio classificou a medida como uma “clara tentativa de me intimidar” e afirmou que cumpriria a determinação. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, declarou.