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Diógenes Dantas


Engenharia do poder

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Allyson Bezerra decidiu falar de governo nesta fase de pré-campanha — e não apenas de eleição.

Na estreia do Contraponto, na 96 FM, o ex-prefeito de Mossoró tirou do bolso uma promessa com endereço certo: criar, já nos primeiros dias de gestão, uma Secretaria de Programas e Projetos Estratégicos. Não é apenas mais uma sigla para a estrutura da gestão. É a tentativa de vender uma ideia de governo — e, mais do que isso, de organizar o poder.

— “Pode anotar aí”, disse, com a segurança de quem fala para marcar posição.

A proposta não nasce no vazio. Allyson recorre ao próprio retrospecto em Mossoró para dar lastro ao discurso: afirma que foi a partir de uma estrutura semelhante que viabilizou obras e organizou a execução de investimentos. Traduzindo: quer convencer que sabe transformar projeto em concreto — e promessa em entrega.

Mas há um detalhe que faz diferença no plano traçado por Allyson.

Ao falar da nova secretaria, o pré-candidato não a desenha como um órgão isolado, mas como uma espécie de sala de máquinas, capaz de puxar para dentro do governo universidades, setor produtivo e entidades como Fiern, Fecomércio e Faern. É a tentativa de construir um consórcio informal de inteligência e financiamento — algo raro num Estado acostumado a correr atrás de emendas e convênios de ocasião.

No discurso, tudo soa como planejamento.

Na prática, o desafio é outro.

Criar uma secretaria é simples. Difícil é dar a ela densidade política, orçamento e capacidade de atravessar a burocracia — esse pântano onde boas ideias costumam afundar sem deixar rastro. É aí que se mede governo.

Allyson também faz questão de ancorar a proposta em outro ativo que tenta nacionalizar no discurso: a gestão digital. Diz ter implantado, em Mossoró, um modelo em que “tudo é eletrônico”, com acesso aberto a órgãos de controle — TCE, TCU, Ministério Público, CGU. É um recado em duas direções: para o eleitor, que cobra transparência; e para o sistema, que desconfia.

No fundo, o que está em jogo é narrativa.

Allyson tenta se apresentar como gestor que organiza, planeja e executa — um perfil que dialoga com o cansaço do eleitor com improviso. Mas, como ensina a velha política, entre desenhar o organograma e fazer a máquina girar há um abismo.

E eleição, no fim das contas, também é isso: escolher quem promete melhor… e quem parece capaz de entregar.

 


 

 

Votação remota – A Comissão de Legislação, Justiça e Redação da Câmara Municipal de Natal aprovou, nesta segunda-feira, parecer favorável à tramitação do projeto que autoriza deliberações em plenário no formato híbrido telepresencial, mediante prévia autorização.

 

— A proposta permite a participação virtual em situações excepcionais, aproveitando a tecnologia para garantir o funcionamento do Legislativo e facilitar o trabalho do vereador — afirmou o presidente da comissão, vereador Aldo Clemente.

 

Direitos humanos – A governadora Fátima Bezerra recebe, nesta terça-feira, a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello dos Santos, para o lançamento dos programas “Envelhecer nos Territórios” e “Viva Mais Cidadania” no Rio Grande do Norte.

O evento está marcado para as 9h30, no auditório da Reitoria do IFRN – Campus Central, em Natal.

 

Contraponto – Cadu Xavier, pré-candidato ao governo pelo PT, é o convidado desta terça-feira, 5 de maio. O Contraponto, da 96 FM, começa às 7h30 da manhã.

 

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