Na reta final da disputa pelo segundo turno das Eleições 2026, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm mobilizado a militância digital por meio de sites e plataformas criadas por voluntários. As ferramentas compilam dados eleitorais, monitoram menções nas redes sociais, organizam repositórios de conteúdo e montam rankings de engajamento entre aliados políticos.
As plataformas atuam em paralelo a canais em aplicativos de mensagens como o WhatsApp. Após questionamentos na Justiça Eleitoral, os grupos digitais de transmissão passaram por processo de formalização junto às campanhas para manter suas atividades regulares perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mapeamento e monitoramento no campo lulista
Entre as iniciativas desenvolvidas por apoiadores do petista está o site "Onde dá para conversar". A plataforma cruza dados de boletins de urna para identificar locais de votação com maiores índices de abstenção e votos brancos, nulos ou de candidatos da terceira via, orientando a militância sobre quais regiões priorizar na busca por apoio. O site contabilizou mais de 2,4 milhões de visitas a partir do dia 4 de outubro.
Outro recurso criado por militantes lulistas é o "Radar da Virada", que monitora menções e tendências nos buscadores e redes sociais. O endereço reúne repositórios de vídeos da campanha e declarações de opositores, sugerindo o compartilhamento dos materiais em redes como Instagram, TikTok, WhatsApp, X e Facebook.
Rankings de engajamento e ações digitais bolsonaristas
No segmento bolsonarista, apoiadores criaram o "Flaviômetro", divulgado pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). O portal acompanha em tempo real o nível de engajamento digital de governadores, prefeitos, senadores e deputados na campanha de Flávio Bolsonaro, montando um ranking diário dos aliados mais ativos e sinalizando nomes considerados ausentes na divulgação da candidatura.
Em paralelo, apoiadores promoveram a hashtag "FandomscomFlávio" e utilizaram o canal do WhatsApp "Tropa do Flávio", organizado por aliados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Pablo Marçal (PRTB), posteriormente registrado formalmente pelo PL como meio oficial de comunicação.
Desdobramentos na Justiça Eleitoral
A intensa movimentação digital resultou em ações perante a Justiça Eleitoral. A plataforma "Brasil 22 Token", dedicada à distribuição de criptoativos para usuários que comprovavam publicações favoráveis a Flávio, foi suspensa por determinação do TSE após representação da campanha adversária. Do mesmo modo, o canal "Exército de Lula" no WhatsApp teve seu funcionamento liberado condicionado ao registro oficial da ferramenta como endereço oficial de comunicação da campanha.
Com informações de O Globo.