Por Hellen Jambor - Jornalista da 96FM
O camarão produzido no Rio Grande do Norte pode ser finalmente exportado para a China, após a correção de um erro técnico que impediu a liberação do produto no mercado chinês. A falha ocorreu no cadastro da espécie vannamei, registrada de forma incorreta como camarão de captura, apesar de ser produzida em viveiros.
O problema foi identificado em setembro de 2025 e atrasou uma liberação que era esperada até o fim do ano passado. Agora, o governo do RN informou que retomaria já na próxima semana, as tratativas em Brasília com os ministérios responsáveis.
O RN está entre os maiores produtores de camarão do país. Em 2024, a produção chegou a 24,7 milhões de quilos, e o setor gera cerca de 28 mil empregos diretos e indiretos, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC).
Mesmo com a possível abertura da China, o estado segue com um entrave estrutural: nenhuma exportação de camarão sai pelos portos potiguares. A produção destinada ao mercado externo é escoada por Suape (PE) e Pecém (CE), o que eleva custos e reduz os ganhos locais.
O setor também enfrenta mudanças nas regras. A Lei Complementar nº 798/2025 e a Lei nº 12.633/2026 ampliaram exigências ambientais e de licenciamento, afetando principalmente pequenos produtores do interior. Para apoiar a adaptação, o Sebrae/RN mantém um programa com meta de formalizar 150 produtores até 2026.
Para a população, a retomada das exportações pode fortalecer o emprego no interior, mas os efeitos tendem a aparecer apenas no médio prazo.