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Ciro Marques


Após cinco meses "dormindo", caso Alfredo Gaspar tem movimentação no exato dia em que ele é escolhido vice de Flávio

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Depois de quase cinco meses sem qualquer avanço formal, a denúncia por suposto estupro de vulnerável contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) teve sua primeira movimentação concreta justamente no dia em que ele foi anunciado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo apurou a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu diligências à Polícia Federal antes de se posicionar sobre o pedido de abertura de inquérito contra o parlamentar. O requerimento foi recebido pela corporação na quarta-feira (5/8) — a mesma data em que Flávio confirmou Gaspar como seu companheiro de chapa.

Não é possível saber, por ora, que tipo de diligência foi solicitada pela PGR: pode variar desde um simples pedido de informação complementar até uma quebra de sigilo. O que chama atenção é o momento da movimentação, depois de um longo período de silêncio no processo.

A denúncia havia sido apresentada em 27 de março pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), no último dia de funcionamento da CPMI do INSS, comissão da qual Gaspar era relator.

Na ocasião, os parlamentares afirmaram ter provas de que o deputado teria mantido relação sexual com uma adolescente de 13 anos, da qual teria nascido uma criança não reconhecida por ele.

Após a denúncia, a Polícia Federal levou o caso ao STF com um pedido de abertura de inquérito, que foi distribuído ao ministro Gilmar Mendes, decano da Corte. Gilmar, por sua vez, solicitou uma manifestação da PGR sobre o tema — pedido que, até esta semana, permanecia sem resposta.

Segundo pessoas próximas ao caso, o procurador-geral Paulo Gonet só deve emitir seu parecer depois de receber o resultado das novas diligências solicitadas à PF, enquanto Gilmar já indicou a interlocutores que aguardará a posição da PGR antes de decidir se abre ou não formalmente o inquérito contra o agora vice de Flávio.

Do lado de Gaspar, a informação é recebida com certo alívio estratégico. Segundo interlocutores do deputado, ele sempre defendeu a agilização da investigação, justamente para tentar provar sua inocência diante das acusações de Lindbergh e Soraya.

O parlamentar já chegou a coletar e entregar material genético para eventual exame de DNA, na tentativa de comparar seu perfil ao da criança citada na denúncia. Com a movimentação da PGR, o caso que dormia desde março volta a ganhar protagonismo justamente no momento de maior exposição política de Alfredo Gaspar.

 

 

 

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