O Nubank foi aprovado por unanimidade para integrar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A decisão foi tomada nesta segunda-feira (16), durante a primeira reunião ordinária da entidade em 2026. Com informações do Estadão.
A indicação para que a fintech passasse a fazer parte da Febraban foi apresentada pelo conselheiro Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco. Nos últimos anos, a relação entre o Nubank e a entidade que representa os grandes bancos do país foi marcada por momentos de tensão, especialmente em discussões envolvendo o pagamento de impostos por fintechs.
Para o CEO da Febraban, Isaac Sidney, a entrada da instituição financeira é positiva para o setor. “A iniciativa do Nubank é muito bem-vinda, pois demonstra interesse em participar ativamente dos espaços de diálogo e de articulação institucional da indústria e evidencia a valorização da pluralidade”, afirmou em nota.
Já a CEO do Nubank no Brasil, Livia Chanes, destacou que a participação na entidade reforça o compromisso da empresa com a evolução do sistema financeiro. “Ao trazer nosso histórico de inovação, inclusão financeira e foco nos clientes também para este fórum, reforçamos nossa contribuição para o fortalecimento do sistema financeiro e seguimos comprometidos em reduzir a complexidade da indústria e simplificar a vida dos nossos clientes”, afirmou.
Com a filiação, o Nubank passará a integrar as principais instâncias deliberativas da Febraban.
Plano para licença bancária
A aproximação com a entidade ocorre em meio ao plano da fintech para obter uma licença bancária no Brasil, anunciado no final de 2025. A empresa ainda não informou se o processo será realizado por meio de um pedido direto ao Banco Central do Brasil ou pela compra de um banco já estabelecido.
Atualmente, o Nubank é a maior instituição financeira privada do país em número de clientes, com cerca de 113 milhões de usuários apenas no Brasil. Fundada há 12 anos, a fintech afirma atender mais de 60% da população adulta brasileira e ter contribuído para a inclusão de cerca de 29 milhões de pessoas no sistema financeiro nos últimos anos.
Além da Febraban, o Nubank continuará participando de outras entidades do setor, como a Zetta, formada por fintechs e empresas de tecnologia, a Associação Brasileira de Bancos, que representa bancos médios, e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.
Histórico de conflitos
A entrada do Nubank na Febraban também marca uma mudança no relacionamento entre as instituições, que até o final de 2025 trocaram críticas públicas.
Em dezembro, a federação afirmou que a fintech buscava explorar uma “meia entrada regulatória” para obter vantagens competitivas no mercado. A declaração foi uma resposta a uma publicação do fundador e CEO do Nubank, David Vélez, que alegou que o banco digital pagava mais impostos que grandes rivais e era responsável por ampliar a inclusão financeira no país.
Na réplica, a Febraban divulgou dados apontando o Nubank como “campeão dos juros e da inadimplência”, além de destacar a alta lucratividade da instituição. O debate ganhou força durante a tramitação, no Congresso, do projeto que resultou no aumento gradual da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs.
Apesar das divergências, bancos tradicionais e fintechs voltaram a se aproximar no início deste ano e chegaram a divulgar comunicados conjuntos em defesa da atuação do Banco Central do Brasil no caso envolvendo o Banco Master, que foi alvo de questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e por grupos políticos.