A notícia que corre solta é a de que Jaime Calado vetou o nome de Carlos Eduardo Alves para a segunda vaga ao Senado, sob o argumento de que o ex-prefeito de Natal poderia inviabilizar a reeleição da senadora Zenaide Maia.
Segundo fontes ouvidas ontem, pode haver receio — ou até insatisfação —, mas veto, não.
Quem veta algo que incomoda ou não aceita, em geral, ameaça tomar uma decisão drástica.
Cabe a pergunta: para onde iria Zenaide se fosse contrariada na composição ao Senado?
Com Fátima Bezerra, não há mais jogo. Há cerca de dois meses, existia um canal aberto entre as duas, mas a governadora decidiu compor aliança com o PDT, que confirmou o nome de Rafael Motta para impulsionar a candidatura de Samanda Alves.
Aliança com o PL, nem pensar. Quando se cogitou a união dos nomes da direita, Rogério Marinho e Álvaro Dias tentaram convencer Allyson Bezerra a abrir mão da senadora por razões ideológicas.
Zenaide é, notadamente, uma política de esquerda e vice-líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.
Portanto, Zenaide não tem para onde ir. A esta altura do jogo, uma ruptura desarrumaria por completo o tabuleiro que ela montou ao lado de Allyson no interior do Estado.
Outro ponto: o segundo voto ao Senado é peça-chave na chapa encabeçada por Allyson. Em municípios estratégicos — como Mossoró e São Gonçalo do Amarante —, Zenaide conta com o apoio de prefeitos, mas mantém o outro voto em aberto, o que acaba favorecendo candidaturas adversárias.
Ou seja, ela precisa de um companheiro de chapa que segure esse segundo voto e evite que ele migre para nomes como Samanda, Rafael ou Styvenson Valentim, hoje entre os mais competitivos da disputa.
Resumindo: insatisfação, sim. Veto, não.
Check-up – Álvaro Dias permanece em São Paulo para um check-up médico. Segundo a assessoria, o pré-candidato do PL ao governo passou por cirurgia oftalmológica e realizou uma série de exames. Antes de embarcar para a capital paulista, afirmou que pretende perder peso: pelo menos os 13 quilos ganhos nos últimos meses.
Fatos distorcidos – A Justiça condenou o vereador Matheus Faustino a pagar R$ 4 mil por danos morais à vereadora Brisa Bracchi. A sentença foi assinada pelo juiz André Luis de Medeiros Pereira, da 16ª Vara Cível da Comarca de Natal. O magistrado entendeu que o réu extrapolou o direito de crítica ao divulgar fatos distorcidos nas redes sociais.
Cajueiro – O Idema e uma empresa terceirizada foram condenados por irregularidades nas condições de trabalho no Cajueiro de Pirangi, um dos principais pontos turísticos do Estado. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região, a pedido do Ministério Público do Trabalho, reconheceu a responsabilidade solidária entre o instituto e a prestadora de serviço. Segundo o processo, houve descumprimento reiterado de normas de segurança e saúde ocupacional.
Mina Brejuí - O nome de Odon Júnior chegou a ser cogitado para vice de Cadu Xavier em uma chapa puro-sangue. Na semana passada, porém, o próprio pré-candidato do PT ao governo tratou de afastar a hipótese: disse que Odon está “confirmadíssimo” na nominata à Câmara Federal. Ex-prefeito de Currais Novos, ele vem pontuando bem nas pesquisas eleitorais.
Devo, não nego - O novo Desenrola do governo Lula deve oferecer descontos de até 90% na renegociação de dívidas, com juros mais baixos — estimados em 1,99% ao mês. A expectativa é que o programa entre em vigor já em maio, após o anúncio oficial. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a possibilidade de uso do FGTS nas negociações.
Taxa de juros - Segundo o ministro Dario Durigan, o novo Desenrola não tem impacto no ritmo de redução da taxa básica de juros, a Selic. Hoje, o Banco Central vai anunciar a nova taxa, e o mercado projeta um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano.
Show dos bilhões - O Palácio do Planalto abriu a carteira em abril. Às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o STF, o governo reservou R$ 12 bilhões em emendas parlamentares. O montante busca pavimentar o caminho do chefe da AGU no Legislativo.
Messias será sabatinado amanhã na CCJ do Senado. Para vestir a toga, precisa de 14 votos no colegiado e 41 no plenário.